Thursday, March 29, 2012

Orientação para o exercício da leitura - Complemento.


Orientação para o exercício da leitura – Complemento.
Bruno Braga.


O documento abaixo [PDF] complementa as regras para o exercício da leitura de Mortimer Adler, publicadas neste espaço [1].

Além deste apenso, segue a sugestão de uma conferência, proferida por José Monir Nasser, no lançamento de uma tradução para o português da obra do escritor americano.


I. Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. Orientação para o exercício da leitura [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_05.html].

II. Bibliografia.

ADLER, Mortimer J. How to read a book: The art of getting a liberal education. Simon and Schuster: New York, 1967.

III. Sugestão.

José Monir Nasser. Palestra de lançamento de “Como ler livros”, obra de Mortimer Adler publicada pela Editora É Realizações. Espaço Cultural É Realizações, 25 de Junho de 2010. [http://www.youtube.com/watch?v=347d65S4mQs].



Tuesday, March 27, 2012

Mais explicações e Contra-argumentações.


Bruno Braga.



Abaixo disponibilizo mais algumas “explicações”. A primeira é a resposta de Ronaldo Sérgio da Silva ao texto “Explicações e uma Contra-argumentação” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_23.html]. E a segunda refere-se à consideração de Francisco Fernandes Ladeira sobre o artigo “Comentário sobre o texto de Francisco Fernandes Ladeira, ‘Nascimento e Morte do Sujeito Moderno” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_20.html]. Junto das “explicações” dos autores citados estão as minhas “contra-argumentações”.

I. Ronaldo Sérgio da Silva.


Bom dia Bruno.
 
Não fiz uma defesa do meu texto e sim, expliquei algumas coisas que motivaram as minhas argumentações iniciais.
 
Quando fiz recortes do seu texto não tive a intenção de mutilá-lo, pois estava bem claro para você sobre o que se tratava, e não considerei uma batalha intelectual, tanto que não me preocupei em fazer uma contestação acadêmica, por não ser o caso. Respeito a sua liberdade de criticar-me sempre, pois isto provoca crescimento de ambos os lados, além de conhecermos mais o “espaço vivido”.
 
Não só este é muitos outros artigos estão à sua disposição para as críticas que julgar adequadas e necessárias.
 
Atenciosamente,
Ronaldo.

23 de Março de 2012.

***

Caro Ronaldo,

Em sua última resposta você esclarece que explicou “algumas coisas que motivaram as suas argumentações iniciais”. Sim, você o fez, embora sem sucesso, na parte que trata do título do seu artigo. Agora, mesmo que diga o contrário, você também promoveu uma defesa do seu texto – a presença de uma citação do site “suapesquisa.com” coloca isto em uma evidência que agride os olhos. Mas, eu pergunto: que problema existe em “defender” o próprio artigo? Nenhum – se o autor entende que está apoiado em uma argumentação sólida, um dos pressupostos é que ele apresente os fundamentos dela. 

Ronaldo, você diz: “não considerei uma batalha intelectual”. No entanto, na sua primeira resposta está escrito: “terei o maior prazer em promovermos uma roda de bates [“debates”, suponho] sobre este e outros temas”. Não sei o que o fez mudar de ideia. De qualquer maneira, mesmo que não haja uma declaração formal de “guerra”, ou um contrato assinado que firme um “debate”, a partir do momento que se lança uma crítica ao texto, e o autor dele se propõe a prestar esclarecimentos e explicações, está estabelecido, sim, um embate. Neste caso, se julgo que a sua argumentação é inconsistente, o meu esforço é para demonstrar os seus equívocos – e o seu é para se justificar, “defender” o seu artigo, e também, apontar os meus tropeços. As partes estão livres para selecionar as suas “armas”, sejam elas argumentos “acadêmicos”, citações do site “suapesquisa.com”, ou um recurso de qualquer outra fonte.

Atenciosamente,
Bruno Braga.

Belo Horizonte, 27 de Março de 2012.


II. Francisco Fernandes Ladeira.

Caro Bruno,

 
No texto em questão somente apresentei as ideia do autor. Não se trata de uma
crítica. Realmente você está certo, o ser humano não é um "primata bípede", na
verdade somos "anfíbios quadrupédes". Obrigado por me alertar.

 
Att,

 
Francisco.
22 de Março de 2012.

***

Caro Francisco,

Agradeço os esclarecimentos.

Sobre a minha “advertência” – a de que o homem não é um “primata bípede” -, poderia aplicar o mesmo método de leitura literal que utilizou para este trecho para constatar que, no meu texto mesmo não há a observação de que o homem é um “anfíbio quadrúpede”. Porém, esta consideração é um tanto quanto desnecessária, porque você compreendeu o sentido do que está ali escrito, da mesma maneira que eu entendi a sua ironia.

Atenciosamente,
Bruno Braga.

Belo Horizonte, 22 de Março de 2012.

Friday, March 23, 2012

Explicações e uma Contra-argumentação.

Bruno Braga.


Publico, logo abaixo, a resposta de Ronaldo Sérgio da Silva ao meu artigo “Que futuro ‘recente’?” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x_15.html] – resposta que está acompanhada de uma contra-argumentação.

I. Explicações.

Ronaldo Sérgio da Silva, 19 de Março de 2012.


Primeiramente, venho agradecer por ter gasto parte do seu tempo com o artigo que escrevi. Depois disso venho pontuar algumas de suas observações e tendo como ponto de partida a suposta “contradição entre os conceitos no título do texto”.
 
Dentre os significados de “recente”, que é um adjetivo, temos: feito ou acontecido há pouco tempo; novo, fresco: descoberta recente. Portanto, o termo não nos aprisiona ao passado e pode nos remeter à dialética daquilo que se mistura entre passado e futuro sem alteração. É uma provocação sobre o continuísmo da servidão, falta de cultura, interesses egoístas, etc.. O que aconteceu e está acontecendo vai continuar a acontecer (futuro recente, futuro que trará coisas “frescas” de uma cultura velha), mas é passível de “mudança”. Não podemos permitir que o uso das palavras nos aprisione também, pois são as armas mais efetivas para a mudança.
 
Ao questionar se “os indivíduos assumem a posição de uma ou outra “classe”?, eu me surpreenderia se fosse desta forma, pois existiria mobilidade e a liberdade de escolha, além do exercício da cidadania.
Pelo próprio IBGE a sociedade brasileira está dividida em classes de A a E, e ainda com subdivisões, e todas limitadas pela renda per capita, mostrando a influência do capital nesta divisão.
 
Ao citar que “Isto não aconteceu na Idade Média, como observa o articulista, período no qual não havia separação...”, posso lhe dizer que as características gerais do feudalismo, dentre outras, são: poder nas mãos dos senhores feudais, e utilização do trabalho dos servos. Prevaleceram da Idade Média as relações de vassalagem e suserania, sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano. O vassalo oferecia ao suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção que o escravizava tornando, assim, o suserano mais poderoso. Além do mais, todos os poderes, jurídico, econômico e político concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes de terras. A sociedade feudal possuía pouca mobilidade social e já era hierarquizada. Os nobres detinham o poder em detrimento dos servos e camponeses. A maioria da população era analfabeta e não tinha acesso aos livros. O feudalismo foi enfraquecendo e cedendo espaço para o capitalismo, com várias mudanças sociais, políticas etc. Prestar fidelidade e ajuda ao seu suserano é uma das marcas das amarras políticas de hoje. Pode observar em todo o país este acontecimento.
Pena que tudo continue como antes. E com maior grau de sofisticação. Não é? Concorda ou não que as origens da nossa sociedade, no feudalismo, ainda continuam vivas e sem previsão de rompimento?
 
Pois bem, observando os meus artigos com publicações nacionais e internacionais poderá ter maior clareza da minha posição e preocupação social, que não é estática.
 
Para maiores esclarecimentos, terei o maior prazer em promovermos uma roda de bates sobre este e outros temas.
 

História do Feudalismo na idade Média, sistema feudal de produção, trabalho servil no feudalismo, se...


II. Contra-argumentação.

Caro Ronaldo,

Com a explicação que você forneceu eu compreendi a sua intenção de estabelecer uma “provocação” no título do seu artigo. No entanto, a pretensão não se realiza com os termos que você selecionou – nenhum dos significados que apresentou, por mais que queira torcer e retorcer a palavra “recente”, está destituído do sentido de passado. Embora você considere que “não podemos permitir que o uso das palavras nos aprisione”, é necessário observar que elas, as palavras, têm significado e referência. Se você, Ronaldo, esvazia as palavras do seu conteúdo para utilizá-las como “armas mais efetivas para a mudança” – a expressão é sua – então, você não só está promovendo uma revisão do vernáculo, mas está também se valendo da estratégia da falsificação, do embuste e do engano – aliás, esta é uma estratégia revolucionária.

Ronaldo, quando você recorta a frase do meu artigo – “os indivíduos assumem a posição de uma ou outra classe” -, acaba cometendo um equívoco. Porque, neste trecho, contesto a existência de uma “luta de classes”, organizada e definida entre “burguesia” e “proletariado”. Esta articulação é espontânea? Quem distribuiu as “armas” e os “uniformes”? Quem estabeleceu os critérios que irão definir o preenchimento das fileiras de cada “exército”? Suponho, pelo seu discurso, que você não se considere um “burguês” – mas, o que faz de você um “proletário”? Estas definições são tão artificiais quanto o sistema de classificação do IBGE utilizado por você como exemplo – ele estabelece apenas critérios quantitativos, e não uma “luta de classes”. Será que todos que estão na classe A alcançaram este status através da opressão e do engano? Em que medida eles, os “burgueses” estão meticulosamente articulados para subjugar a classe E? E, será possível que na classe E não haja um só que não esteja contente e satisfeito com o seu modesto trabalho, com a relação com patrão, e ache muito estranho esta história de “luta de classes”?

Agora, não vou julgar as suas intenções, ou se foi um lapso, mas ao estabelecer outro recorte no meu texto, Ronaldo, você selecionou apenas o que atendia a sua argumentação, afastando o que realmente estava em jogo. Explico. Você citou assim o meu artigo: “Isto não aconteceu na Idade Média, como observa o articulista, período no qual não havia separação...” – e, a partir daí, você acrescenta, por sua conta, uma descrição da “sociedade feudal”. Ora, o que estava em questão, neste trecho, não era a distinção de papéis sociais – isto sempre existiu -, mas, sim a existência da “Ideologia”. Então, Ronaldo, você deveria citar não uma parte, mas o meu argumento todo, assim: “NÃO HAVIA SEPARAÇÃO – lacuna – entre o discurso de legitimação e o próprio exercício do poder” – é assim que está no meu artigo, basta relê-lo. Portanto, estava contestando a Ideologia, e não diferenças de papéis sociais, que existem em qualquer lugar – mas, estas diferenças, nem sempre são justificadas por um discurso de legitimação, de reivindicação, por um corpo de ideias, por uma Ideologia. E isto, estava, de fato, ausente na Idade Média, porque o próprio discurso se confundia com a estrutura da sociedade – embora não estivesse livre de tensões, a sociedade medieval estava estabelecida sobre um mesmo pano de fundo, em uma espécie de unidade orgânica. Para compreender esta questão eu sugiro o livro de Christopher Dawson, “La religion y el Origem de la Cultura Medieval”.

Ademais, não é possível falar em “Ideologia” se não há uma “política de massas”, para qual é voltada o seu discurso de legitimação, ou de reivindicação, do poder. Isto não existia na Idade Média. Enfim, Ronaldo, você – como o próprio Marx – está projetando a “Ideologia” em um passado no qual ela, de fato, não existia.

Dito isto, eu não entendo o que você, Ronaldo, acredita que teve origem no Feudalismo, que permanece até os dias de hoje, e que precisa ser “rompido”. Agora, se você diz que a sua “preocupação social” e a sua “posição” não são “estáticas”, então, como é possível percebê-las com “clareza”, como você mesmo acredita? Não, não é possível, Ronaldo. Porque estes discursos são montados com uma série de estereótipos vazios, sem conteúdo, e que são utilizados para fazer uma revisão equivocada do passado e uma análise distorcida do presente – são confusões com aparência de descrição dos fatos, mas que maquiam apenas a legitimação, ou a reivindicação, do poder.      

Estou à disposição para o debate.

Atenciosamente,
Bruno Braga.

Belo Horizonte, 23 de Março de 2012.

Wednesday, March 21, 2012

O real da Revolução Digital - As Articulações





Bruno Braga.

Sobre as relações entre os movimentos “Occupy”, o grupo de hackers “Anonymous” e o Foro de São Paulo, que tem o PT (Partido dos Trabalhadores) como um de seus membros com maior poder.

Referências.

[1]. Foro de São Paulo – Partidos [http://forodesaopaulo.org/?page_id=52].

[2]. Foro de São Paulo – Documento Base, XVIII Encontro, 2012 [http://forodesaopaulo.org/?p=1166].

[3]. FEBBRO, Eduardo. Anonymous e a guerra de informação digital – site “Carta Maior” [http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19644].

Indicações.

BRAGA, Bruno. A sobrevivência do ideal revolucionário [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/sobrevivencia-do-ideal-revolucionario.html].
______. O real da Revolução Digital – O Ativismo [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/03/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html].

Tuesday, March 20, 2012

Comentário sobre o texto de Francisco Fernandes Ladeira, "Nascimento e Morte do Sujeito Moderno" [1].

Bruno Braga.


Caro Francisco,

Penso ser necessário fazer algumas observações sobre a tese de Stuart Hall – sem saber se você a adota completamente. Porque assumi-la pode gerar uma grande confusão mental e conduzir a resultados práticos funestos.

Note o caso de Karl Marx: “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”. Este decreto padece de autorreferência - porque, se Marx estivesse correto, ele jamais o poderia ter proferido. O pensador alemão não era pessoalmente um “proletário”, e, por isso, segundo a sua própria tese, não poderia ter a “consciência” de um “revolucionário”. Isto não parece ser problema para o pensador alemão, devido ao caráter profético de suas orientações – ele se considera um “Iluminado”, superior a toda a humanidade, e, por isso mesmo, deve ser o “Guia” dela: ele é um Comunista, que tem a vantagem, sobre todo o restante da massa do proletário, de compreender as condições, o andamento e os resultados gerais do movimento proletário (MARX, 2002, p. 59). Não é preciso muito para perceber o “messianismo” das teses marxistas, quando não a expressão do puro charlatanismo [2] – mas, é assim que funciona a cabeça de um revolucionário.

A respeito de Schopenhauer a consideração está “em parte” correta. Sim, para o filósofo alemão o homem, como qualquer outro ser, é a objetivação de uma Vontade metafísica insaciável – e a razão serve-lhe apenas como instrumento para a satisfação de seus imediatos e obscuros desejos. Acontece que a Vontade se objetiva – se torna objeto – em graus distintos, sendo a vontade humana o mais perfeito dos seus fenômenos, no qual ela aparece desenvolvida e iluminada pelo conhecimento. Este não é um conhecimento racional, conceitual, mas intuitivo, através do qual, na autoconsciência humana, a vontade conhece a si mesma: neste instante, em vez da busca por satisfação, e do conflito, ela silencia, e redime todo o mundo. O homem redime todo o restante da natureza (MVR, p. 483). Vale à pena citar o próprio Schopenhauer:
A possibilidade de a liberdade exteriorizar-se a si mesma é a grande vantagem do homem, ausente no animal, porque a condição dela é a clarividência da razão, que o habilita a uma visão panorâmica do todo da vida, livre da impressão do presente. O animal está destituído de qualquer possibilidade de liberdade, assim como a possibilidade de uma real, logo com clareza de consciência, decisão eletiva segundo um prévio e completo conflito de motivos, que para tal fim teriam de ser representações abstratas. (MVR, p. 510).

Mas, é preciso fazer uma observação para que não haja confusão com o que foi dito sobre Marx: Schopenhauer não era um Materialista, e nem mesmo um “Revolucionário” – era uma espécie de “conservador”, como o próprio Freud.

Já sobre os movimentos feministas, a artificialidade de suas propostas e ações mostra que, em vez de destruírem um “sujeito moderno”, uma “abstração teórica”, estão lutando contra a própria estrutura da realidade – e os resultados, intelectuais e morais, são degradantes.

Enfim, o homem, Francisco, definitivamente, não é um ser “angelical”. E mesmo que não seja considerado uma “obra prima” da natureza, ou de Deus, ele não é um “primata bípede” – considerá-lo assim, é negar a evidência diante dos próprios olhos. O “Pós-modernismo”, o esforço de “desconstruir”, de assassinar o “sujeito” e o “homem”, promete um “novo mundo” – uma “nova lógica”, diferente da clássica; uma “nova moral” diferente da tradição -, e um novo “sujeito”; mas, o que produziu, de fato, foi, confusão, absurdidade, sonambulismo, alheamento, charlatanismo e serve, inclusive, para a legitimação da morte.  


Referências.

[1]. Francisco Fernandes Ladeira, “Nascimento e Morte do Sujeito Moderno” [http://www.barbacenaonline.com.br/noticias.php?c=8188&inf=11].

[2]. Cf. BRAGA, Bruno. “Entre o Mestre e o Intelectual” [http://dershatten.blogspot.com.br/2011/06/entre-o-mestre-e-o-intelectual.html].


Bibliografia.

MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Trad. Pietro Nassetti. Editora Martin Claret: São Paulo, 2002.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Editora Unesp: São Paulo, 2005.

Sunday, March 18, 2012

Teste de sensibilidade - Um resultado provável.

Bruno Braga.


Depois de convidar o visitante deste espaço a fazer um autoexame – submeter-se a um “teste de sensibilidade” [1] – é mais do que oportuno apresentar o resultado de uma pessoa em especial. Porque ele se refere à “sensibilidade” de alguém que ocupa uma posição de poder e, por isso, está na condição de interferir diretamente sobre a questão do aborto: Eleonora Menicucci, Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Eleonora, efetivamente, não se submeteu ao teste aqui proposto. No entanto, a contar por uma entrevista concedida em 14 de Outubro de 2004 [2], não é difícil supor qual seria o resultado do seu exame.   

A Ministra conta que passou por um “Treinamento de Aborto” na Colômbia (p. 20). Porém, antes de 2006 – a entrevista de Eleonora foi em 2004 -, a legislação colombiana considerava crime qualquer intervenção que provocasse a interrupção da gravidez. Portanto, a Ministra realizou o seu “treinamento” em clínicas de aborto clandestinas na Colômbia.

Além disso, o seu “curso” envolvia uma “técnica” peculiar, que permitia à gestante se “autocapacitar” para a prática do aborto utilizando a “sucção” (p. 17) – seria interessante que o leitor fizesse um exercício imaginativo, concebendo a gestante realizando, em si mesma, a aspiração que despedaça o feto em seu útero. Eleonora revela que “duas feministas” realizaram, com ela, o primeiro “autoexame” – o que considerou “uma coisa muito linda” (p. 17). A mesma satisfação ela provavelmente sentiria diante do resultado final deste processo: o feto dilacerado - “uma coisa muito linda”, diria, então, a Ministra, diante de uma das imagens do “teste de sensibilidade” aqui proposto.

Eleonora, ela mesma, passou por um aborto: “nós decidimos, eu e o partido, que eu deveria fazer aborto”. A Ministra foi militante do POC (Partido Operário Comunista), e a justificativa para a prática foi:
“A luta armada aqui. E um detalhe importante nessa trajetória é que, seis meses depois de essa minha filha ter nascido, eu fiquei grávida outra vez. Aí, junto com a organização nós decidimos, a organização, nós, que eu deveria fazer aborto porque não era possível...” (p. 03).       

Enfim, é hora de convocar o leitor para fazer um novo autoexame: O que sentiu ao ler as revelações da Ministra da Secretaria de Políticas para as mulheres, Eleonora Menicucci? Indiferença? Entusiasmo? Consternação? Repugnância? Seja qual for a reação, aquele depoimento expressa, com nitidez, o que é a mente de um revolucionário.


Referências.

[1]. BRAGA, Bruno. “Teste de sensibilidade” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/03/teste-de-sensibilidade.html].

[2]. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) mantinha a entrevista nos seus arquivos, mas a retirou do ar depois que foi descoberta. O interessado poderá acessar a entrevista no endereço [http://www.archive.org/details/EntrevistaComEleonoraMenicucciDeOliveira] – documento que é a referência para as citações de número de página.

Thursday, March 15, 2012

Que "futuro recente"?

Bruno Braga.


O artigo de Ronaldo Sérgio da Silva – “Planos para um futuro recente” [1] – é uma espécie de orientação para o eleitor de Barbacena, cidade de Minas Gerais. O pano de fundo, e elemento justificador, da sua proposta é uma fórmula conhecida: a de que “a história de todas as sociedades que existiram até hoje é a história de luta de classes” [2]. Barbacena, como amostra microcósmica, também está submetida à lei que rege a história das sociedades - a “luta de classes”, na qual se enfrentam, neste momento, a “burguesia” e o “proletariado”.

Para além da contradição entre os conceitos no título do texto [3], a adoção de um “pano de fundo” que fixa a consideração em termos de “classe” impõe imediatamente um problema para Ronaldo Sérgio. Uma “classe” não tem realidade efetiva – apenas a têm indivíduos reais, concretos, de carne, osso e sangue: somente estes poderiam se lançar em uma disputa. Além disso, é preciso questionar: há, de fato, uma organização na qual todos, todos, os indivíduos assumem a posição de uma ou outra “classe”? Como são determinados os critérios que caracterizam um indivíduo como “burguês” e outro como “proletariado”?

Não é preciso muita perspicácia para notar que a distribuição dos “uniformes” para cada um dos “exércitos”, e a configuração do próprio “campo de batalha”, não caiu do céu – elas foram estabelecidas de alguma forma, e certamente por alguém, ou por um grupo, que está do “lado do bem”. Sendo assim, a fórmula adotada por Ronaldo Sérgio, e o discurso que construiu a partir dela, são apenas uma teia de ideias criada, ou para justificar a sua própria posição dentro de um domínio de convivência com outras pessoas, ou para maquiar interesses objetivos de poder.

Que o discurso ideológico – como o da “luta de classes” – não é uma descrição da realidade, o próprio autor do artigo indica, quando alerta o eleitor sobre a necessidade de identificar políticos que tenham uma “inspiração ideológica apropriada”. Entre tantas ideologias, qual seria, então, a “apropriada”? Ronaldo Sérgio trata de esclarecer: é a “ideologia” dos candidatos que entendam a sociedade como “una” e “indivisível”, que determine “o progresso individual e coletivo”, o “desenvolvimento integral da sociedade baseados em princípios universais”.

Da “inspiração ideológica apropriada” de Ronaldo já salta um obstáculo evidente: “unidade”, “indivisibilidade”, “integralidade” e “universalidade” são conceitos estranhos em um cenário de guerra e de conflito – dividido pela “luta de classes”. Quer dizer, para quem assumiu o “lado do bem”, a “universalidade” não inclui o seu “inimigo” - o “adversário” deve ser eliminado, asseverou o próprio Marx: “a existência da burguesia não é mais compatível com a sociedade” (2002, p. 57). Ademais, as fórmulas apresentadas, que incluem ainda as ideias de “progresso” e “desenvolvimento”, são tão abstratas, vagas e estratosféricas, que precisariam ser preenchidas com algo real e concreto: que atenderia, sem dúvida, o gosto e as preferências de quem moldou o discurso, daquele que o configurou para o próprio consolo e reconforto, ou para justificar interesses de agentes reais e concretos que disputam o poder.

Aliás, Ronaldo Sérgio se define como um “agente”: “SOMOS os verdadeiros agentes de transformação da sociedade”. Ele, certamente, não é um “burguês” – o “inimigo da humanidade”. Mas, ele é, de fato, um “proletário”? O que o define como tal, e quem fixou os critérios que lhe dão o “uniforme” e as “armas” do “exército do bem”? Enfim, a orientação de Ronaldo Sérgio é, ou a expressão dos seus sentimentos, ou, por trás da “inspiração ideológica apropriada”, ele oculta os seus interesses de poder ou o dos de seus pares?

Ronaldo ainda projeta uma “nova sociedade” sobre “novas bases”, que substitua o poder político que “não generalizará a penúria” – o autor, provavelmente, pretendia dizer “que generaliza a penúria” – por um que lute com a massa pelo “indispensável”. No entanto, a experiência efetiva, real, da proposta “revolucionária” adotada por ele – a do Marxismo-Socialismo-Comunismo – produziu, não só “penúria”, mas morte, carnificina, genocídio e também degradação intelectual.

Esta, a corrupção intelectual, é possível perceber quando a “Ideologia” é projetada para revisar toda a História. Acontece que o discurso ideológico nasce em um dado momento, e ele mesmo aparece separado do poder: ou como forma de legitimação, ou com o objetivo de reivindicá-lo. Isto não aconteceu na Idade Média, como observa o articulista, período no qual não havia separação – lacuna - entre o discurso de legitimação e o próprio exercício do poder, porque ambos estavam imbricados na estrutura da própria sociedade [4]. Nestes termos, Ronaldo incorre em um equívoco de compreensão histórica e metodológica, projetando a “Ideologia” em um passado no qual ela não existia.

Enfim, a orientação destinada aos eleitores de Barbacena, redigida por Ronaldo Sérgio, é um discurso artificial, construído para, ou consolar-se pela posição que ocupa no corpo social, expressando seus sentimentos e expectativas, ou legitimar a sua ambição de poder, ou a de seu grupo. De qualquer modo, sejam quais forem as motivações e os objetivos de Ronaldo Sérgio, a “Ideologia”, aqui, é um substituto da realidade na qual ele mesmo se encontra.


Referências.

[1]. Ronaldo Sérgio da Silva, “Planos para um futuro recente” [http://www.barbacenaonline.com.br/noticias.php?c=8144&inf=100].

[2]. MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Trad. Pietro Nassetti. Editora Martin Claret: São Paulo, 2002. p. 45.

[3]. Ou é “futuro” – o que está por vir, por acontecer - ou é “recente”, que ocorreu há pouco.

[4]. Além disso, não é permitido falar em “Ideologia” sem que haja uma política de massas.

Wednesday, March 14, 2012

Teste de sensibilidade.

Bruno Braga.


No texto “A Cruz apeada” [1] apresentei uma questão que causa inquietação: por que um crucifixo é mais repugnante para um grupo que está empenhado na legalização do aborto do que o próprio produto da bandeira que ele defende, um feto dilacerado?

Sugiro que o leitor – inclusive o ateu, ou ateísta militante – também reflita sobre a questão, e que o faça a partir de duas imagens:




Então, caro leitor?


Referências.