Tuesday, October 21, 2014

Professor ou MILITANTE PETISTA?

Bruno Braga.
Notas.
 
 
 
I.
 

A equipe que cuida da campanha de Dilma Rousseff publicou - no site oficial da candidata petista - um vídeo em que alguns professores contam a Fernando Pimentel "como são tratados" em Minas Gerais. (Cf. [http://www.dilma.com.br/noticia/choque-de-realidade-professores-contam-como-sAo-tratados-em-minas-590]).

Claro, o objetivo é atingir o adversário da candidata petista.
 
Entre os professores reunidos com Pimentel, Gustav Schirm é o único que responsabiliza diretamente o governo de Minas Gerais pelo descaso com os professores: "Quem mais desrespeita a gente é O ATUAL GOVERNO. Ele é o que mais desvaloriza a gente. Ele é o que mais joga a classe pra baixo. Ele é o que mais sucateia a escola" (Cf. vídeo a partir do tempo 00:14).
 
 
Gustav Schirm é apresentado como "Professor da rede estadual" e "Professor do Pronatec". No entanto, Gustav Schirm também é PETISTA DE CARTEIRINHA (Cf. imagem, os destaques em vermelho são meus. Fonte: TSE). Uma informação deveria ser dada ao público para que ele possa avaliar se quem discursa ali é um PROFESSOR ou um MILITANTE.
 
Nota publicada no Facebook em 14 de Outubro de 2014.
 
 
II.
 
 
Dando continuidade ao propósito de informar o eleitor, uma vez que denunciar a situação da educação em Minas Gerais tornou-se arma da campanha eleitoral petista para atingir o seu adversário nas eleições presidenciais, eis o senhor Gilson Reis. Ele é Presidente do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (SINPRO-MG) e um COMUNISTA DE CARTEIRINHA.
 
Gilson é vereador em Belo Horizonte pelo PC do B - recentemente foi candidato a Deputado Estadual - e expressa todo o seu apoio à candidatura de Dilma Rousseff (Cf. imagem, o destaque em vermelho é meu).
 
 
Muito bem. Estes são mais alguns dados para que o eleitor possa avaliar QUEM são os porta-vozes dos professores em Minas Gerais e O QUE eles falam sobre a educação no estado. Se o que falam descreve objetivamente a situação, ou se não passa de discurso de MILITANTE ou de CABO ELEITORAL em campanha para o seu partido, para os seus aliados, para o seu grupo político.

Nota publicada no Facebook em 20 de Outubro de 2014.

 
III.
 

Denunciar a situação da educação em Minas Gerais é um dos itens da estratégia petista para atingir o seu adversário na disputa pela Presidência da República.
 
Por isso, para o eleitor seria útil - contribuindo para o melhor juízo a respeito do seu voto - saber se QUEM assume a POSIÇÃO de porta-voz dos professores - e O QUE ele fala -, se condiz com uma descrição objetiva da situação e se expressa uma preocupação efetiva com a educação no estado, ou, se não se trata apenas de um MILITANTE PETISTA e de um CABO ELEITORAL em campanha para o seu candidato.
 
Então, eis o caso do Sindicato dos Professores de Minas Gerais (SINPRO-MG), Regional Barbacena. Entre os seus principais diretores está um PETISTA DE CARTEIRINHA: o senhor Dimas Enéas (Cf. imagem, os destaques em vermelho são meus) - e ele não é o único.
 
 
Dimas Enéas aparece comemorando as vitórias do seu partido no estado e, segundo um correligionário em matéria da imprensa barbacenense, estaria se preparando, com todos os petistas, para trabalhar pela candidatura de Dilma Rousseff no segundo turno das eleições presidenciais (Cf. BarbacenaMais, "PT Barbacena comemora eleição de Pimentel, Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira [http://barbacenamais.com.br/noticias/4148-eleicoes-2014-pt-barbacena-comemora-eleicao-de-pimentel-reginaldo-lopes-e-cristiano-silveira]).


 
ARTIGOS RECOMENDADOS.
 
BRAGA, Bruno. "Até um míope e estrábico" [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/08/ate-um-miope-e-estrabico.html].
______. "Mulheres barbacenenses: instrumento para a propaganda PETISTA-SOCIALISTA-COMUNISTA" [http://b-braga.blogspot.com.br/2014/06/mulheres-barbacenenses-instrumento-para.html].
 

A falsa direita.

Putin reuniu um grupo impressionante de líderes europeus da extrema direita em apoio à sua causa do mal.

Robert Zubrin.

National Review, 24 de Junho de 2014.

Tradução. Bruno Braga.
 
 

 
 
 
No dia 31 de Maio, em Viena, o Palácio Liechtenstein serviu de palco para uma reunião secreta que tinha o objetivo de organizar uma quinta coluna fascista em apoio às ambições do Kremlin de dominar a Europa.
 
O presidente e patrocinador do encontro foi o oligarca russo Konstantin Molofeev, o proprietário multibilionário do Marshall Capital, que tem sede em Moscou. Molofeev, que tem acesso direto ao ditador russo, é conhecido como o "Soros de Putin", por causa do papel que desempenha no financiamento de iniciativas e movimentos em apoio à causa fascista russa - o que inclui principalmente o atual esforço do Kremlin para destruir a Ucrânia. De fato, tanto Igor Girkin (auto-nominado "Strelkov"), ex-coronel do GRU que é o comandante militar das forças guerrilheiras auxiliadas pelo Kremlin no leste da Ucrânia, e Aleksandr Borodai, o homem de negócios que serve como primeiro ministro da "República do Povo de Donetsky" - uma marionete de Putin -, são empregados de Molofeev (Girkin/Strelkov trabalhou para Molofeev como chefe de segurança por muitos anos).
 
Molofeev foi o produtor e o diretor do evento. Mas a estrela do show foi Alexander Dugin, o principal autor da doutrina totalitária "Eurasianista", que cumpre uma finalidade específica no regime de Putin: ser base ideológica para a transformação da Rússia em um estado fascista e expansionista, e para a criação de uma internacional fascista controlada por Moscou para subverter outros países em nome do novo império.
 
Uma impressionante variedade de líderes "conservadores" - na verdade, eram líderes de partidos radicais nacionais-socialistas europeus - estava reunida para receber a tutela de Dugin e as instruções de Molofeev. Era uma preparação para os papéis de apoio que exerceriam como Pétains e Quislings do Reich Eurasiano. Entre eles estavam alguns deputados da Frente Nacional francesa, a saber, Marion Maréchal-Le Pen (neta do fundador do partido e sobrinha da atual presidente, Marine Le Pen) e Aymeric Chauprade, chefe da política externa da ultra anti-americana Frente Nacional. O Príncipe Sixto Henrique de Bourbon-Parma, do movimento católico-monarquista Carlista, veio da Espanha, e Serge de Pahlen, diretor da Edifin, companhia financeira de Genebra, e marido da Condessa Margherita Agnelli, herdeira da Fiat, veio da Suíça. Participantes da Áustria, incluindo Heinz-Christian Strache, presidente do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), partido de direita populista, o seu vice, John Gudenus, e Johann Herzog, político vienense do partido. Volen Siderov, presidente e fundador do Ataka (Attack), partido de ultra-direita, veio da Bulgária, e outros ultra-direitistas extremistas vieram da Hungria, da Croácia, Georgia, e da Rússia.
 
Nos discursos do encontro - descritos por um repórter suíço-alemão infiltrado no evento - vários participantes saudaram Putin como o "redentor" que iria libertar a Europa do Americanismo, do Liberalismo, Secularismo e do Homossexualismo. Mas estava muito claro que a verdadeira agenda do grupo não tinha nada a ver com o combate da depravação sexual (que está tão disseminada na Rússia de Putin como em qualquer outro lugar - ou melhor, no caso, ainda mais, já que o país é um dos líderes mundiais no tráfico humano para fins de escravidão sexual, de acordo com os dados de um relatório publicado recentemente pelo Departamento de Estado), mas estava centrada no apoio da política externa russa. Na verdade, muitos partidos presentes na reunião enviaram representantes à Criméia, em Março, para ajudar Putin a validar o seu fraudado plebiscito em apoio à anexação após a invasão russa - uma ação com poucos traços do combate decidido do regime de exploração da prostituição contra desvios sexuais.
 
Os Putinistas estão seguindo uma velha tática soviética. A União Soviética utilizou a exploração dos trabalhadores pelo Capitalismo como elemento de agitação para subverter as democracias ocidentais, sendo que ao mesmo tempo exercia o trabalho escravo em seu próprio território. Em seu esforço para desacreditar a liberdade humana, os Putinistas denunciam os pecados que podem ocorrer sob o reino da liberdade com o mesmo ardor, com a mesma sinceridade, com o mesmo propósito que animou os seus antepassados soviéticos.
 
O encontro endossou o chamado de Dugin para a criação de uma nova "Aliança Sagrada", determinada por um arranjo geopolitico comandado pela Rússia e criado para suprimir as aspirações democráticas na Europa, 200 anos após a entrada das tropas czaristas em Paris. Alguém pode se perguntar se esse bocado de nostalgia não evocaria algumas objeções por parte dos representantes supostamente patrióticos da Frente Nacional francesa. Mas desde que Chauprade fez um discurso para a Duma, no ano passado, quando ele exaltou o regime de Putin como "a esperança do mundo contra o novo [liberal] totalitarismo", provavelmente ninguém deveria ficar tão surpreso com o fato de ele não ter contestado a terminlogia de Dugin. A elegante senhorita de 24 anos, Maréchall-Le Pen, presente aparentemente para se oferecer para um futuro papel de protagonista em "O Führer veste Prada", fez, no entanto, um alerta ao grupo, formado em sua maioria por homens mais velhos: eles não devem esquecer os jovens enquanto projetam o novo Reich.
 
A Europa certamente precisa de um movimento conservador genuíno para combater o burocrático coletivismo bajulador que está asfixiando o potencial humano do continente. Mas os representantes da aliança duguinista não representam isso. Na verdade, em uma entrevista para a revista francesa bimenstral "L'Homme nouveau", em 27 de Novembro de 2013, Chauprade deixou bem claro esse ponto, dando sua descrição da "bipolaridade ideológica" que divide o mundo hoje: "de um lado estão os que acreditam que o indivíduo é o valor supremo, do outro estão aqueles que pensam que a transcendência ou o bem comum são superiores à pessoa humana". Ele afirmou que o seu "compromisso está claramente no segundo campo". Portanto, longe de serem "conservadores", defensores dos valores fundamentais do Ocidente, da liberdade individual e da dignidade, os Duguinistas, no clássico estilo nacional-socialista, procuram invocar o instinto tribal com o propósito de capacitar as mais radicais e destrutivas formas de coletivismo imagináveis.
 
De acordo com um repórter do jornal suíco "Tages Anzeiger", [...] "os participantes estavam comprometidos com o sigílo absoluto. Um serviço de segurança privada controlava as estradas ao palácio barroco. Nem aos participantes era permitido tirar fotos. Quando Strache, líder do FPÖ, tirou uma foto com o seu telefone celular, ele foi imediatamente reprimido pelo Presidente da Conferência, Malofeev".
 
Como o encontro era na verdade uma sessão de planejamento de traição, tais precauções são totalmente compreensíveis.
 
A próxima reunião da internacional fascista está prevista para Janeiro, em Moscou.


Thursday, October 16, 2014

A Teologia do Mal de Dugin: o seu Eurasianismo é um culto satânico.

Robert Zubrin.
National Review, 18 de Junho de 2014.
Tradução. Bruno Braga.
 
 
 
 
 
 
Homens de ação estampam grandes ilustrações nos livros de história, mas são as idéias colocadas nas suas cabeças por homens de pensamento que determinam realmente o que eles fazem. Deste modo, rabiscos de filósofos malucos podem levar a milhões de mortes. Como herdeiro moderno dessa tradição, Alexander Dugin promete bater o recorde.
 
A maioria dos americanos não sabe nada sobre Alexander Dugin. Eles precisam saber, porque Dugin é o filósofo maluco que está redesenhando o cérebro de boa parte do governo e do público russo, enchendo a mente deles com uma nova ideologia totalitária dominada pelo ódio que só pode gerar consequências extremamente catastróficas, e não apenas para a Rússia, mas para toda a raça humana.
 
Nos últimos meses, como a adoção das idéias duguinistas pelo regime de Putin tornou-se mais evidente, uma série de artigos foi escrita chamando a atenção para o perigo. Mas agora, com a publicação de "The American Empire Should Be Destroyed": Alexander Dugin and the Perils of Immanentized Eschatology, de James Heiser, finalmente temos um tratamento em forma de livro. Vale bem a pena ler.
 
Heiser é um bispo da igreja luterana, e, por consequência, ele lida com os aspectos político e teológico do suposto conservadorismo de Dugin, na verdade uma ideologia "Eurasianista" neo-pagã. O subtítulo do livro pode afastar uma série de leitores, mas como um franco engenheiro que atravessaria a rua para evitar termos como "escatologia imanentizada", em geral eu achei o texto suficientemente claro, e até elegante em algumas passagens.
 
Heiser segue a carreira de Dugin, desde a expulsão dele do Instituto de Aviação de Moscou no início dos anos 80, por envolvimento em círculos místicos pró-Nazis, até o seu contínuo desenvolvimento em associação com várias organizações semelhantes à Thule Society no final daquela década, seus contatos com a anti-democrática Nova Direita Européia, a co-fundação e carreira com o Partido Nacional-Bolchevique nos anos 90, e sua subsequente mudança no contexto político russo depois de perceber que poderia ganhar muito mais influência como conselheiro de quem está no poder do que poderia operar por conta própria em um partido dissidente.
 
Heiser então começa a dissecar a ideologia política e geopolítica do Eurasianismo de Dugin. A idéia central é a de que o "liberalismo" (que Dugin entende como sendo todo o "consenso ocidental") representa um assalto à organização hierarquica tradicional do mundo. Repetindo as idéias dos teóricos nazistas Karl Haushofer, Rudolf Hess, Carl Schmitt e Arthur Moeller van den Bruck, Dugin diz que essa ameaça liberal não é nova, mas é a ideologia do poder marítimo-cosmopolita "Atlantis", que tem conspirado para subverter sociedades terrestres - mais conservadoras - desde os tempos antigos. De acordo com isso, escreveu livros reconstruindo toda a história do mundo como uma batalha entre essas duas facções, de Roma vs. Cartago à Rússia vs. "Ordem Atlântica" anglo-saxã de hoje. Se é para vencer a luta contra os subversivos oceânicos, portadores de ideias "racistas" como direitos humanos ("racistas" porque impostas por estrangeiros), a Rússia deve reunir em torno de si todas as potências continentais, incluindo a Alemanha, a Europa Central e Oriental, as ex-repúblicas soviéticas, Turguia, Irã e Coréia, em uma grande União Eurasiana, forte o suficiente para derrotar o Ocidente.
 
Para estar unida "de Lisboa a Vladivostok", essa União Eurasiana precisa de uma ideologia definida. Para isso, Dugin desenvolveu uma nova - a "Quarta Teoria Política" -, combinando todos os pontos mais fortes do Comunismo, do Nazismo, Ecologismo e Tradicionalismo, podendo apelar assim a todos esses diversos credos anti-liberais. Ele poderia adotar a oposição à livre iniciativa do Comunismo. No entanto, ele abandona o compromisso marxista para o progresso tecnológico, um ideal liberal derivado, em favor do apelo demagógico do Ecologismo para deter o avanço da indústria e da modernidade. Do tradicionalismo ele deriva uma justificativa para impedir o pensamento livre. Todo o resto é inspirado diretamente no Nazismo, variando das teorias jurídicas que justificam o poder estatal ilimitado e a eliminação dos direitos individuais para atender as necessidades das populações "enraizadas" no solo, às estranhas idéias gnósticas sobre a origem secreta da raça ariana no Pólo Norte.
 
O que a Rússia precisa, diz Dugin, é um "genuino, verdadeiro, radicalmente revolucionário e consistente, fascismo fascista". Por outro lado, o "Liberalismo é o mal absoluto... Somente uma cruzada global contra os Estados Unidos, o Ocidente, a globalização e sua expressão político-ideológica, o liberalismo, é capaz de tornar-se uma resposta adequada... O Império americano deve ser destruído".
 
Em seguida, Heiser fornece uma análise fria da teologia de Dugin:
 
Poderíamos afirmar que a fusão de Tradicionalismo e Eurasianismo de Dugin tornou-se um "movimento de massa gnóstico" de terceiro tipo, um "misticismo ativista". Não é exagero afirmar que o objetivo pretendido por Dugin, seu telos, é o Fim do Mundo, e que o cumprimento desse fim depende, ele acredita, da implementação da sua ideologia. Como Dugin proclamou no seu recente livro, 'Quarta Teoria Política":
 
"O fim dos tempos e o significado escatológico da política não vão se realizar por conta própria. Nós esperaremos pelo fim em vão. O fim nunca virá se nós esperarmos por ele, e nunca virá se nós não... Se a Quarta Prática Política não fosse capaz de perceber o fim dos tempos, então ela seria inválida. O fim dos dias deve vir, mas ele não virá por si só. Esta é uma tarefa, não uma certeza. É uma metafísica ativa. É uma prática".
 
Este desejo de promover o fim do mundo não é um desenvolvimento repentino no pensamento de Dugin. Como observado na citação do início deste capítulo, as intenções de Dugin estavam sendo publicadas no exterior já em 2001, e podiam ser lidas pelo público de língua inglesa. Em 2001, [Stephen] Shenfield notou que a visão escatologica de Dugin é "Maniqueísta" - isto é, uma forma dualista do Gnosticismo, que vê o mundo como um campo de batalha das forças igualmente equiparadas de bem e mal, onde as forças espirituais da luz lutam contra as forças materiais do mal. Dentro desse "Maniqueísmo", Dugin mistura conceitos cristãos, repetindo frequentemente a noção de que o Ocidente é o reino do "Anti-Cristo". Como Shenfield cita Dugin:
 
"O propósito da Rússia é que através do povo russo será realizado o último pensamento de Deus, o pensamento do Fim do Mundo... A morte é o caminho da imortalidade. O amor começará quando o mundo terminar. Nós devemos desejar ardentemente isso, como verdadeiros cristãos... Nós estamos arrancando a maldita Árvore do Conhecimento. Com ela perecerá o Universo".
 
Shenfield então observa: "Alexander Yanov, citando essas linhas, conclui que o 'verdadeiro sonho' de Dugin 'é de morte, em primeiro lugar a morte da Rússia'. Em sua resposta, Dugin evita abordar diretamente a substância da crítica de Yanov, mas observa que ele não compreende o significado positivo da morte...".
 
É difícil saber como reagir a alguém que afirma querer trazer o fim do mundo. Quando esse desejo é expresso com sotaque russo, é ainda mais provável que o ouvinte simplesmente despreze o orador como uma espécie de "super-vilão" saído de um filme horrível de aventura ou de ação. É uma reivindicação que evoca o riso - até que alguém perceba que o homem que pensa que "o propósito da Rússia" é "o Fim do Mundo" é o homem cuja doutrina geopolítica está sendo implementada pelo governador da Rússia.

 
Heiser continua:
 
Dugin é bastante entusiasmado com a idéia de que a terceira é a era vindoura e a final. Como Dugin escreveu em "A Metafísica do Nacional-Bolchevismo":
 
"Para além de 'direitas' e 'esquerdas' há uma e indivisível Revolução, na tríade dialética 'Terceira Roma - Terceiro Reich - Terceira Internacional'. O reino do nacional-bolchevismo, Regnum, o Império do Fim, este é o cumprimento perfeito da maior revolução da história, uma revolução continental e universal. É o retorno dos anjos, a ressureição dos heróis, a revolta do coração contra a ditadura da razão. Essa última revolução é a ocupação do acéfalo, do acéfalo portador da Cruz, da Foice e do Martelo, coroado pela suástica eterna".
 
O "Império do Fim" é marcado pela "tríade dialética", que combina "Terceira Roma - Terceiro Reich - Terceira Internacional". Todas as expectativas dos históricos delírios messiânicos russos, combinadas com as intenções Joaquimitas do Nazismo e do Bolchevismo Soviético, supostamente encontram sua expressão mais elevada nessa nova ideologia, segundo Dugin.

 
Finalmente, Heiser comenta o culto de Dugin ao Caos, e a adoção do símbolo oculto de oito pontas - a "Estrela do Caos" - como o emblema (e a bandeira, quando gravada em dourado com um pano de fundo preto) do movimento Eurasianista.
 
"Para Dugin, o logos é substituído pelo caos, e o próprio símbolo do 'caos magic' é o símbolo da Eurásia: 'O logos expirou e todos nós vamos ser sepultados sob suas ruinas, exceto se fizermos uma súplica ao caos e aos seus princípios metafísicos, usando-os como base para algo novo'. Dugin veste essa discussão sobre o logos com a linguagem de Heidegger, mas sua terminologia não pode ser lida fora de uma tradição bíblica ocidental de 2.000 anos, que associa o Logos ao Cristo, e a invocação do caos contra o logos, de Dugin, leva a certas conclusões inevitáveis sobre a sua doutrina".
 
Em resumo, o Eurasianismo de Dugin é um culto satânico.
 
Essa é a ideologia por trás do projeto "União Eurasiana" do regime de Putin. Foi a esse sombrio programa, que ameaça não só as perspectivas de liberdade na Ucrânia e na Rússia, mas a paz no mundo, que o ex-presidente ucraniano Victor Yanukovych tentou vender o "seu" país. É contra esse programa que os corajosos manifestantes em Maidan tomaram posição e - com uma ajuda escandalosamente pequena do Ocidente - triunfaram como que por milagre. É em nome desse programa que o regime de Putin gerou um banho de sangue no leste da Ucrânia, que, seguindo Dugin, é agora denominado "Nova Rússia". É em nome desse programa que Dugin, com apoio massivo do governo russo, organizou uma internacional fascista com partidos europeus marginais, e em nome desse programa que os líderes quislianos desses partidos estão dispostos a trair suas nações pela dominação do Kremlin.
 
O projeto fascista de Dugin - a União Eurasiana - é impossível sem a Ucrânia, e mais cedo ou mais tarde a própria Rússia se juntará ao Ocidente e tornar-se-á livre, ficando pelo mundo apenas algumas ilhas de tirania desprezadas e condenadas. Mas com a Ucrânia sob os seus pés, o programa Eurasiano pode e vai continuar, e irá cair uma nova cortina de ferro, aprisionando uma grande parcela da humanidade sob o domínio de um poder totalitário monstruoso que será um arsenal do mal em todo o mundo pelas próximas décadas. Isso significa outra guerra fria, trilhões de dólares desperdiçados em armas, o crescimento acelerado de um estado de segurança nacional, conflitos por procuração repetidos, custando milhões de vidas no exterior, e a própria civilização colocada em risco, em que um só passo em falso em um jogo insano e interminável de grande potência precipitaria o confronto carregado e fechado em trocas termonucleares.
 
Só que dessa vez nossos adversários da Guerra Fria não serão os Comunistas seculares, mas verdadeiros seguidores de um culto de adoração da morte que gostariam de provocar o fim do mundo.
 
O poder dos eurasianistas aumenta na Rússia com cada vitória de seu programa expansionista no exterior. O movimento duguinista está crescendo exponencialmente, enquanto as forças da sanidade estão sendo intimidadas ou esmagadas. É o resultado da capitulação do Ocidente. Se a Ucrânia cair, Vladimir Putin pode descobrir que, como os generais alemães que concederam poderes a Hitler, ele fomentou o nascimento de um monstro que não pode mais controlar.
 
Talvez ele devesse ler o livro de Heiser também.

Tuesday, October 14, 2014

O Foro de São Paulo e as crises de imigração.

Bruno Braga.
Comentário publicado no Facebook em 11 de Outubro de 2014.
 
Referência: "A agenda secreta nas crises de imigração", Ion Mihai Pacepa. O artigo foi publicado no site Mídia Sem Máscara e a fan page da Radio Vox o apresentou como sugestão de leitura. O comentário abaixo foi originalmente postado no espaço indicado do Facebook (10 de Outubro de 2014).
 
Assunto: Foro de São Paulo, organização fundada por Lula e por Fidel Castro para promover o SOCIALISMO-COMUNISMO na América Latina.
 
______
 

Em um trecho do artigo, Ion Mihai Pacepa diz o seguinte: "Eu não estou mais no covil dos ursos e, é lógico, eu não tenho provas de que o KGB/FSB tem suas mãos na nossa atual crise da imigração em massa". No entanto, há PROVA - DOCUMENTADA - do envolvimento do Foro de São Paulo na estratégia descrita pelo ex-espião romeno.
 
Confiram a Declaração Final do XIX Encontro, que aconteceu no ano passado, em São Paulo: "Defendemos a adoção de políticas específicas para assegurar a defesa dos direitos plenos de todos os imigrantes e de suas famílias. A GRANDE PRESENÇA DE IMIGRANTES LATINOAMERICANOS NOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA ESTÁ SE CONVERTENDO EM UM ELEMENTO POLÍTICO TRANSCENDENTE E CADA VEZ MAIS CAPAZ DE DEFINIR RESULTADOS ELEITORAIS. Diante disso, saudamos a iniciativa do Grupo de Trabalho de ARTICULAR as REPRESENTAÇÕES dos partidos do FORO NOS ESTADOS UNIDOS E EUROPA, como forma de promover o debate e INCIDIR POLITICAMENTE sobre o que ocorre nessas regiões a partir de nossa perspectiva" (Cf. imagem; os destaques em vermelho são meus. O documento pode ser acessado - em espanhol - neste link: [http://forodesaopaulo.org/declaracion-final-sao-paulo-2013/]).
 
 
Durante o mesmo encontro foi definido um "Plano de ação". Entre os "objetivos principais" estão: 16. Fortalecer a Secretaria Europa do Foro de São Paulo e ampliar nossos vínculos com os movimentos de defesa dos imigrantes e de suas famílias, de resistência contra a crise, e os distintos setores das esquerdas européias, em especial partidos e movimentos sociais de resistência anti-neoliberal; 17. Consolidar a Secretaria Estados Unidos da América do Foro de São Paulo e fortalecer nossos laços com os movimentos de resistência nos Estados Unidos, particularmente com os movimentos de defesa dos imigrantes e os de resistência contra a crise; 66. Realizar, no primeiro semestre de 2014, o II Encontro da Secretaria Estados Unidos do Foro de São Paulo, convidando particularmente os movimentos de defesa dos imigrantes e os de resistência contra a crise (os ítens seguintes tratam do mesmo assunto. O documento - em espanhol - pode ser lido neste link: [http://forodesaopaulo.org/plan-de-accion-aprobado-en-el-xix-encuentro/]).
 
É isso. Um abraço é bom trabalho para todos.
Bruno.

Tuesday, October 07, 2014

O Eurasianismo e a Teologia da Libertação.


Bruno Braga.
Anotações de estudo.


“O socialismo brasileiro e da América Latina como um todo tem muitas características nacionalistas e étnicas em si mesmo. O fator religioso católico e a síntese das crenças religiosas populares são elementos muito importantes no presente despertar da nova identidade soberana no Brasil. É, em alguns aspectos, comparável com o renascimento geopolítico, cultural e espiritual da Rússia moderna”.



A consideração acima é parte da conclusão apresentada por Aleksandr Dugin no debate com o professor Olavo de Carvalho (Cf. “Os EUA e a Nova Ordem Mundial”: Um debate entre Alexandre Dugin e Olavo de Carvalho. Vide Editorial: Campinas-SP, 2012. p. 213). Dugin - o seu Eurasianismo e Nacional-Bolchevismo – alimentam e conduzem as ambições imperiais do Presidente da Rússia, Vladimir Putin.

É verdade, não há uma citação expressa. No entanto, é inegável que a matriz do “socialismo brasileiro e da América Latina” enaltecidos pelo cientista político russo é o Foro de São Paulo - a organização fundada por Lula-PT e por Fidel Castro para organizar o movimento revolucionário SOCIALISTA-COMUNISTA latino-americano. Um projeto de poder que hoje dita as regras no continente e que pavimenta a sua aproximação com a Rússia de Putin.

Quanto ao “fator religioso católico” e à “síntese das crenças religiosas populares” observados por Dugin, a referência subentendida é – não a Igreja Católica – mas a Teologia da Libertação. Porque ela está na base daquele “socialismo brasileiro e da América Latina”. A Teologia da Libertação foi um dos instrumentos utilizados para erguê-los, servindo para politizar a fé e fazer ardilosamente dos fiéis colaboradores do movimento revolucionário. O ex-Presidente Luiz Inácio confessa a importância desse engodo teológico na ascensão do projeto de poder SOCIALISTA-COMUNISTA latino-americano [1]. E Ion Mihai Pacepa – ex-agente do serviço secreto da Romênia comunista, e que participou ativamente do projeto – revela a sua origem: a Teologia da Libertação foi forjada pela KGB [2].

Ademais. Basta rastrear as atividades dos “apóstolos” da teologia revolucionária para constatar o esforço despendido para fabricar uma “nova” Igreja, uma “nova” fé, sob o pretexto de se adequar à realidade do “povo” latino-americano com a incorporação de um conjunto de crenças ditas “populares” e até “indígenas”. É o mesmo processo que Dugin considera “muito importante” para o despertar da “nova identidade soberana no Brasil”, algo “comparável com o renascimento geopolítico, cultural e espiritual da Rússia moderna” – um produto artificial que está, pelo que foi dito até aqui, associado à realização de uma projeto de poder.

As observações feitas devem ser objeto de estudo e investigação - inclusive a “teologia” embutida nas teses e nos planos de Aleksandr Dugin. Neste artigo, Robert Zubain indica já no título do seu texto qual é a natureza dela: “Dugin’s Evil Theology”: His Eurasianism is a satanic Cult – “A Teologia do Mal de Dugin”: O seu Eurasianismo é um culto satânico (tradução livre) (Cf. [http://www.nationalreview.com/article/380614/dugins-evil-theology-robert-zubrin]). E uma citação do próprio cientista político russo não deixa dúvidas:

“O reino do Nacional-Bolchevismo, ‘Regnum’, o Império do Fim, é a realização perfeita da maior revolução da história continental e universal. É o retorno dos Anjos, a ressurreição dos heróis, a revolta do coração contra a ditadura da razão. Esta última revolução é a ocupação do Acéfalo, do Acéfalo portador da Cruz, da Foice e do Martelo, coroado pela suástica eterna”.

Nestes termos, é fundamental recordar as revelações de Fátima praticamente às vésperas do seu centenário:

[...] “virei pedir a CONSAGRAÇÃO DA RÚSSIA AO MEU IMACULADO CORAÇÃO e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. SE ATENDEREM AOS MEUS PEDIDOS, A RÚSSIA CONVERTER-SE-Á E TERÃO PAZ; SE NÃO, ESPALHARÁ SEUS ERROS PELO MUNDO, PROMOVENDO GUERRAS E PERSEGUIÇÕES À IGREJA” [...]. Trecho da segunda parte da mensagem que Maria revelou aos pastorinhos em Fátima. Mensagem reconhecida oficialmente pela Igreja Católica, embora o pedido de Nossa Senhora – Consagrar a Rússia ao seu Imaculado Coração – ainda não tenha sido realizado.


REFERÊNCIAS.

[1]. BRAGA, Bruno. “Não, a guerra não acabou”. Apenso III – Lula confessa que a Teologia da Libertação foi fundamental para a sua promoção política e a do PT [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/07/nao-guerra-nao-acabou.html]. Ver também o depoimento do ex-Presidente do Paraguai, Fernando Lugo, em “O engodo da libertação e o poder” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/o-engodo-da-libertacao-e-o-poder.html].

[2]. PACEPA, Ion Mihai. “A Cruzada religiosa do Kremlin”. Front Page Magazine, 2009. Trad. Bruno Braga [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/04/a-cruzada-religiosa-do-kremlin.html].