Wednesday, March 27, 2013

Disfarce abortista.


Bruno Braga.


Uma das estratégias da propaganda abortista é denunciar – de maneira dissimulada – que o debate público sobre o tema está pautado na obscuridade da “fé”, e não nos termos da “razão”. Com esta artimanha, os abortistas se autoproclamam os portadores da “luz” e denunciam a religião – a judaico-cristã - como o tenebroso “inimigo” das mulheres. A Igreja Católica – por sua representatividade - é acusada de ser o “monstro opressor” que impede a “emancipação” do sexo feminino: ela “proíbe” a mulher de “decidir sobre o seu próprio corpo” quando censura o aborto. Um mergulho na História, porém, até o surgimento do Cristianismo, desfaz esta caricatura construída para fins panfletários e expõe a face macabra do abortismo, que é maquiada com “autonomia” e “liberdade”, com nobres princípios abstratos.        

No mundo greco-romano, o abandono de crianças indesejadas do sexo feminino – e de crianças deficientes do sexo masculino – era permitido e moralmente aceito. O infanticídio foi adotado por todas as classes sociais [1]. O mesmo acontecia com o aborto, que foi a principal causa de morte entre as mulheres nessa época [2].

“O aborto não só impedia a ocorrência de muitos nascimentos, como também levava à morte grande número de mulheres, antes que pudessem dar sua contribuição à fertilidade. O resultado dessa prática era uma incidência significativa de casos de infertilidade nas mulheres que sobreviviam aos abortos” [3].

Morte ou infertilidade. Estes, os prováveis resultados da prática do aborto, que era realizado com a aplicação de técnicas primárias: ingestão de doses pequenas de veneno; introdução de substâncias tóxicas no útero; utilização de grampos, ganchos e facas para dilacerar o feto, a criança.  

As taxas de aborto eram elevadas. Para o sociólogo Rodney Stark isto tem uma explicação. Eram os homens, e não as mulheres, que na maior parte dos casos tomavam a decisão de abortar. Nos termos da lei romana o chefe da família detinha o “poder de vida ou de morte”, e podia determinar que a sua mulher abortasse [4].

Com o Cristianismo houve uma mudança radical. Desde o seu surgimento ele proibiu categoricamente o infanticídio e o aborto. “Não assassineis uma criança por meio do aborto nem a mateis ao nascer” – ensinava o “Didaqué”, manual da Igreja Católica redigido provavelmente no século I. No século II, Atenágoras escreveu para o Imperador Marco Aurélio:

“Dizemos que as mulheres que usam drogas para provocar aborto cometem assassinato, e terão de prestar conta a Deus pelo aborto [...], [pois] consideramos o próprio feto no útero como um ser criado e, portanto, como objeto da solicitude de Deus [...] e [não] abandonamos uma criança, porque aqueles que as abandonam podem ser acusados de assassinos de crianças” [5].

Este princípio da cultura cristã protegia a criança e resguardava a gestante, a saúde e a vida da mulher, que não era exposta às assustadoras técnicas abortivas da época.

A “modernização” das “técnicas” não eliminou os riscos para a gestante. Pesquisas recentes comprovam que o aborto aumenta a mortalidade materna e compromete a saúde das mulheres [6]. Além disso, o aborto - ainda que bem sucedido – tem, por definição, um resultado criminoso: a morte – o assassinato - de um ser humano.

Nestes termos, o Cristianismo – e a Igreja Católica -, que a propaganda abortista denuncia como o impiedoso “inimigo” das mulheres, surge na História como protetor delas. E hoje, ao se opor ao aborto, reivindica o mesmo princípio inegociável de valorização da vida para preservar, não só a mulher - a gestante -, mas também a criança que ela carrega no útero. E o abortismo, que se autoproclama o portador das “luzes da razão”, mostra a face macabra que esconde do público. Proclamando princípios abstratos, ele coloca em risco a saúde e a vida da mulher, da qual afirma ser o único e autêntico defensor. Em nome da “autonomia” e da “liberdade” ele reivindica o “direito” de dilacerar fetos, que em sua maioria são, eles mesmos, mulheres.  


Notas.

[1]. FOX 1987, GORMAN 1982, POMEROY 1975, RUSSELL 1958 – apud STARK 2006, p. 112.

[2]. Idem, p. 113.

[3]. Idem, p. 135.

[4]. Idem, p. 137.

[5]. Idem, p. 141.

[6]. BRAGA, Bruno. “Advertência para o Conselho de Medicina Abortista: aborto aumenta a mortalidade materna e danifica a saúde das mulheres” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/advertencia-para-o-conselho-de-medicina.html].

Tuesday, March 26, 2013

Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais defende a vida.


Bruno Braga.


O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) manifestou posição contrária à deliberação apresentada pela instância federal – pelo Conselho Federal de Medicina – que autoriza a prática do aborto até a 12a semana de gestação. O presidente do CRM-MG, João Batista Gomes Soares, observa que os conselheiros mineiros foram unânimes em rejeitar a decisão abortista:  

“Nós fizemos um documento justificando por que somos contra o aborto. Enquanto a sociedade civil não se manifestar, vamos continuar defendendo a vida” [1].

Abaixo, a reprodução de alguns trechos da entrevista que João Batista Gomes Soares concedeu à revista “Veja”.

Por que o CRM-MG é contra o posicionamento do CFM em relação ao aborto? Nós entendemos que a primeira tarefa da medicina é a defesa da vida e que um feto com 10, 12 ou 20 semanas é uma vida de qualquer maneira. Isso porque, no nosso entendimento, a partir do momento em que o óvulo é fecundado, já começa a existir um ser.  E é impossível dizer com precisão em que momento a vida começa. Somos a favor da descriminalização do aborto nos casos já previstos, como em casos de bebês anencéfalos ou de estupro. Porém, não concordamos que o aborto deva ser liberado apenas com o simples fato de uma mulher ficar grávida e não querer levar essa gravidez para frente. Consideramos que a vontade da gestante é importante, sim, mas há outros fatores envolvidos nessas situações, como a vontade do pai, por exemplo.

Como o conselho médico de Minas Gerais chegou a essa posição? Essa posição contrária não é minha opinião pessoal, mas sim de todo o nosso conselho. Nós discutimos esse assunto, elaboramos um parecer o qual levamos ao plenário e, a partir daí, essa posição foi assumida por nós. No encontro nacional que definiu o parecer do CFM, nossa posição foi de retirar completamente o projeto, e não de alterar algumas itens [2]. 


Notas.

[1]. Estadão, 22 de Março de 2013. “Apoio do CFM ao aborto já enfrenta protestos antes de chegar ao Senado” [http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,apoio-do-cfm-ao-aborto-ja-enfrenta-protestos-antes-de-chegar-ao-senado-,1011804,0.htm].



Leituras recomendadas.

BRAGA, Bruno. “Advertência para o Conselho de Medicina Abortista: aborto aumenta mortalidade materna e danifica saúde das mulheres” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/advertencia-para-o-conselho-de-medicina.html].

Equipe Christo Nihil Praeponere (Pe. Paulo Ricardo). “Conselho Federal de Medicina apoia legalização do aborto” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/conselho-federal-de-medicina-apoia.html].



Conselho Federal de Medicina apoia legalização do aborto.




A Presidente Dilma Rousseff, durante visita à Roma pelo início do pontificado do Papa Francisco, declarou à imprensa que o Santo Padre deveria compreender as “opções diferenciadas das pessoas". Não se sabe ao certo a que opções a presidente se referia. No entanto, pode-se imaginar que elas tenham ligação com aqueles velhos temas já conhecidos: aborto, “casamento” gay, eutanásia, etc. São temas que há anos ocupam espaço na agenda do governo e que recentemente ganharam novo impulso, sobretudo por causa das nomeações da presidente para cargos relacionados a essas discussões e pela reforma do Código Penal Brasileiro. Para completar, a recente decisão do Conselho Federal de Medicina em apoiar a legalização do aborto até a 12a semana de gestação reacendeu o debate sobre a questão.
A manifestação de apoio do CFM foi dada por meio de uma Circular, emitida no último dia 12 de março. No documento, o Conselho justifica que as leis atuais concernentes ao aborto “são incoerentes com compromissos humanísticos e humanitários, paradoxais à responsabilidade social e aos tratados internacionais subscritos pelo governo brasileiro”.
O CFM ainda argumenta que o assunto deve levar em consideração os princípios de “autonomia” e os dados estatísticos sobre a mortalidade materna em decorrência de abortos induzidos. De acordo com a nota, “em 2001, houve 243 mil internações na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) por curetagens pós-abortamento”. Desse modo, para o Conselho Federal de Medicina, o aborto não deveria ser punido nas seguintes situações:
I. Quando “houver risco à vida ou à saúde da gestante”;
II. Se “a gravidez resultar de violação da dignidade sexual, ou do emprego não consentido de técnica de reprodução assistida”;
III. Se for “comprovada a anencefalia ou quando o feto padecer de graves e incuráveis anomalias que inviabilizem a vida independente, em ambos os casos atestado por dois médicos”; e
IV. Se “por vontade da gestante até a 12ª semana da gestação”. (Negritos nossos).

Salta aos olhos a vulgaridade dessa decisão do Conselho Federal de Medicina. Sem meias palavras, o que esse grupo de médicos faz é nada mais que advogar a legalização do aborto eugênico, ou seja, quando se nega o direito à vida a um indivíduo por ser portador de deficiências. Dado ao fato que, sabe-se lá com que critérios, o CFM decidiu que antes da 12a semana de gestação o feto não é um ser humano com direitos, quem dirá o que classificarão como “anomalias que inviabilizam a vida independente”? É lamentável que o CFM tenha a coragem de dizer, sem se ruborizar, que a sua decisão não é favorável ao aborto, “mas, sim, à autonomia da mulher e do médico”, como se a defesa de um direito não fosse justamente para que todos tenham a liberdade de usufrui-lo. Apoiar a legalização do aborto não pode ser outra coisa senão apoiar o aborto, pois ninguém apoia algo pelo qual não nutra interesse.
É de causar perplexidade a desfaçatez do CFM em cobrar do Estado a aplicação de acordos “humanísticos e humanitários” sem sequer citá-los em seu documento. Todavia, ao evocar tais compromissos, o Conselho Federal de Medicina dá um tiro no próprio pé, pois se o Brasil tiver de fazer concessões a tais acordos, há de se levar em consideração também o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Estado Brasileiro é signatário e se propõe a respeitar suas cláusulas, inclusive a referente ao direito à vida, que diz:
“Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente”.

Por conseguinte, parece piada que, ao invés de apresentar dados atuais, o CFM tenha que recorrer a uma pesquisa de 2001 para referendar seus argumentos. Contudo, a tentativa de influenciar a opinião pública com números exorbitantes é falha, exatamente, porque o mesmo órgão responsável por essas estatísticas, ou seja, o SUS, afirma que entre as décadas de 1990 e 2010 o risco de morte por aborto diminuiu 81,9%. Número que contesta diretamente a alegação de que os abortos ilegais no Brasil sejam um caso de saúde pública. Não se menospreza aqui a vida dessas mulheres, mas se há algum culpado nesta história, esse culpado é justamente o governo que faz vistas grossas em relação aos centros que praticam abortos clandestinos.
Outro dado que merece a atenção dos leitores é a origem dessa decisão do Conselho Federal de Medicina. Como afirma a própria nota do CFM, o consenso do grupo se deu após os debates feitos durante o I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina 2013, realizado de 6 a 8 de março, em Belém (PA). Participaram do encontro o presidente do CFM, Roberto d’Avila, a professora Débora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB), o professor Christian de Paul de Barchifontaine, reitor do Centro Universitário São Camilo, o promotor de Justiça Diaulas da Costa Ribeiro e o secretário-geral do CFM, Henrique Batista e Silva, coordenador do grupo técnico criado para avaliar o tema.
Não é preciso dizer que nenhuma liderança pró-vida participou deste encontro. Como manda o protocolo abortista, somente “especialistas” alinhados à ideologia anti-vida podem participar dessas reuniões. Especialistas, vale lembrar, geralmente patrocinados pelas multinacionais estrangeiras há muito tempo interessadas no controle da natalidade dos países em desenvolvimento. Fato que põe em xeque o pretenso apelo do presidente do CFM, Roberto d’Avila, para que as decisões no Brasil fossem tomadas pela vontade da sociedade, não por motivos religiosos. Não é para a população que o CFM trabalha quando aprova a legalização do aborto - até porque a maioria esmagadora é contra à medida - mas para fins pessoais e de fundações que não estão minimamente interessadas na saúde da mulher, mas tão somente nos lucros e no próprio bem-estar.

Fonte: Equipe Christo Nihil Praeponere (Pe. Paulo Ricardo).

Friday, March 22, 2013

Advertência para o Conselho de Medicina Abortista: aborto aumenta a mortalidade materna e danifica saúde das mulheres.


Bruno Braga.


O Conselho Federal e conselhos regionais de Medicina abraçaram a “causa” abortista [1]. Instituições que têm por princípio defender a vida agora levantam a bandeira da cultura da MORTE. Para firmarem o posicionamento, os Conselhos observaram que ele está fundamentado em “inúmeros estudos e contribuições”. Certamente eles não incluíram em suas pesquisas os estudos que apontam o aborto como causa de aumento da mortalidade materna e como gerador de danos à saúde da mulher (Cf. artigo reproduzido ao final do texto).

Não. A fonte dos “inúmeros estudos e contribuições” que fundamentam a decisão dos Conselhos de Medicina é a mesa de discussão “Aborto e desigualdade social”, que foi promovida durante I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina, realizado entre 06 e 08 de Março de 2013, em Belém (PA). É o que informa o próprio Conselho Federal de Medicina [2]. Acontece que esta “mesa de discussão” foi composta somente por ABORTISTAS, sim, ABORTISTAS [3]: Débora Diniz, Christian de Paul de Barchifontaine e Diaulas da Costa Ribeiro.

Débora Diniz, encarregada de apresentar a “visão feminina”, é representante da ANIS (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero), organização feminista que integra o CLACAI (Consorcio Latinoamericano Contra el Aborto Inseguro), entidade fundada pelas organizações Rockefeller para fomentar o aborto na América Latina [4].

Christian de Paul de Barchifontaine apresentou – aliás, deveria apresentar - a “visão religiosa”. Mas, ele é um Padre – Padre?! Que tipo de Padre?! – que torce e distorce a doutrina da Igreja Católica para que ela acolha o aborto em determinadas circunstâncias. Em 1996, Barchifontaine – o tal “Padre” – demonstrou que para a realização de sua “causa” era permitido até mesmo difamar a instituição à qual jurou fidelidade: “O que ela [a Igreja] deveria fazer era promover mais a educação, admitir e transmitir as informações sobre os métodos anticoncepcionais. A ciência existe para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a Igreja tem que caminha com estas evoluções” [5].

Diaulas da Costa Ribeiro, promotor de justiça, considerou o tema do aborto sob a perspectiva “jurídica”. No Encontro dos Conselhos de Medicina ele endossou a reformulação do Código Penal para ampliar os casos de “aborto legal”. Diaulas é a favor do aborto e também da eutanásia – e ainda defende os “direitos sexuais” de pessoas com paralisia cerebral, que devem ser atendidas por prostitutas [6]

Enfim, a “mesa de discussão” organizada no Encontro dos Conselhos de Medicina não promoveu “discussão” alguma sobre o aborto. Promoveu, sim, a propaganda abortista. Em vez de um fundamento teórico, um pretexto ideológico para assumir um projeto de engenharia social e sua macabra cultura da morte.

       
***

Aborto aumenta a mortalidade materna e danifica saúde de mulheres, asseguram peritos ante a ONU.


NOVA IORQUE, 08 Mar. 13 / 11:02 am (ACI/EWTN Noticias).- Peritos em medicina argumentaram em Nova Iorque ante a Comissão Jurídica e Social da Mulher da Organização das Nações Unidas (ONU), que o aborto incrementa a taxa de mortalidade materna e danifica a saúde das mulheres.

Os especialistas, provenientes de diversas partes do mundo, afirmaram que o aborto não é necessário para promover a saúde das mulheres já que em realidade a prejudica.

Além disso, rechaçaram as hipóteses dos que apoiam a expansão do aborto como "direito", enfatizando que na gravidez, inclusive aquelas consideradas como de alto risco, não há um conflito entre as necessidades da mãe e das crianças.

A Dra. Donna J. Harrison, Diretora de Investigação da Apólice Pública da Associação Americana de Obstetras e Ginecologistas Pró-vida, conversou com o grupo ACI após sua intervenção ante a ONU em 6 de março.

Harrison enfatizou que "os verdadeiros cuidados médicos diminuem a taxa de mortalidade materna, o aborto em troca não" e assinalou que as pílulas abortivas "aumentam as complicações depois do aborto. São muito mais perigosas".

A perita recordou que para os que promovem o aborto "é muito mais fácil promover uma pílula que o aborto cirúrgico", pois é mais barato dar à mulher uma pílula "que cuidar dela cirurgicamente ou estar disponível para ela caso apresente alguma complicação".

Assinalou deste modo que como as pílulas não estão necessariamente sob a supervisão de um médico, acabam sendo usadas livremente sem um exame prévio da mulher "e sem nenhum plano de seguimento". Tudo isso é o que em realidade aumenta o risco de mortalidade.

A doutora sublinhou que em países em vias de desenvolvimento, se se apresentam complicações como hemorragia severa e abortos incompletos, "convertem-se em morte" porque a mulher não tem a possibilidade de acessar uma atenção de emergência imediata.

Outro dos especialistas que interveio ante a Comissão foi o Dr. Eoghan De Faoite, membro da Junta da Comissão de Excelência na Saúde Materna da Irlanda.

O médico criticou os ataques internacionais à defesa da vida através da proibição do aborto na Irlanda e precisou que esta prática não é um procedimento medicamente necessário.

De Faoite disse que a Irlanda tem uma das taxas mais baixas de mortalidade materna no primeiro mundo e que não experimentaram o "aumento da mortalidade" que se vê em outros países ocidentais que legalizaram o aborto.

Além disso, citou vários estudos que afirmam que não há dados que sugiram que o aborto diminui a mortalidade materna.

O Dr. Elard Koch do Centro de Medicina Embrionária e Saúde Materna no Chile explicou que os dados demonstram um aumento da mortalidade materna quando o aborto foi legalizado em diversos países ao redor do mundo.

Koch sustentou que a mortalidade materna pode ser reduzida com a educação, tendo mais técnicos especializados na atenção de partos.

Precisou que uma das medidas que deve promover-se é que as mulheres tenham acesso a centros higiênicos de saúde com um pessoal altamente qualificado, em vez do aborto como alternativa que só danifica as mulheres.


Fonte. ACIDigital.

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Notas.

[1]. BRAGA, Bruno. “Conselho de Medicina Abortista” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/conselho-de-medicina-abortista.html].

[2]. Cf. CFM, “Conselhos de Medicina se posicionam a favor da autonomia da mulher em caso de interrupção da gestação” [http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23661:conselhos-de-medicina-se-posicionam-a-favor-da-autonomia-da-mulher-em-caso-de-interrupcao-da-gestacao&catid=3].


[4] CLACAI [http://www.clacai.org/integrantes]. BRAGA, Bruno. “O Movimento Abortista” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/09/o-movimento-abortista.html]; “A investida abortista” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/07/a-investida-abortista_27.html] – Cf. a documentação em PDF disponível nestes dois artigos.

[5]. VIEIRA, Humberto. “A polêmica questão do aborto” [http://www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc10444].

[6]. Cf. Revista Época, 2005. “Diaulas Costa Ribeiro – Promotor de polêmica” [http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI50183-15228,00-DIAULAS+COSTA+RIBEIRO+PROMOTOR+DE+POLEMICA.html].




Thursday, March 21, 2013

Conselho de Medicina Abortista.


Bruno Braga.


O Conselho Federal – e conselhos regionais - de Medicina resolveram abraçar a macabra causa abortista [1]. Eles decidiram avalizar o projeto de reforma do Código Penal que amplia as “excludentes de ilicitude” para os casos de “interrupção da gestação” – entre elas a “interrupção” que for feita “por vontade da gestante até a 12a semana de gestação”. No entanto, o presidente da instituição federal, Roberto Luiz d’Avila, esclarece: “os Conselhos de Medicina não são favoráveis ao aborto”, mas, sim “à autonomia da mulher e do médico” [2].  

Ora, o Dr. d’Avila poderia explicar o seguinte. Se uma gestante escolhe abortar, e o médico satisfaz a vontade “autônoma da mulher”, qual será a posição do Conselho Federal (e dos regionais) – que normatiza e fiscaliza a prática médica - com relação a um procedimento que a própria instituição, segundo o seu presidente, não aprova? Advertência, Suspensão ou Cassação do exercício profissional?

Contudo, o mais grave no raciocínio do Dr. d’Avila – que pela posição que ocupa é porta-voz da classe médica – é a pressuposição de que a “autonomia” confere à mulher e ao “médico” o poder de decidir sobre outra vida que não a deles mesmos – quer dizer, a “autonomia” dá ao médico e à gestante o absurdo poder de MATAR. Bom, se é que o Dr. d’Avila considera um feto assim – com 12 semanas – um ser vivo.




O informe do Conselho Federal de Medicina se esforça para maquiar o aspecto criminoso do aborto. Primeiro utiliza a expressão “excludente de ilicitude” para afirmar que o aborto continua sendo crime, exceto nos casos previstos em lei. Por exemplo, a interrupção da gravidez por “vontade da gestante até a 12a semana de gestação” é um aborto – apesar disso, ele não será punido. Se matar ainda significa MATAR, isto é o mesmo que dizer: matar é crime; a não ser que o assassinato tenha sido cometido contra bebês de até 3 meses de idade. Sob esta condição a conduta não seria ilícita, e, por isso, ela não seria apenada. Depois o informe subverte a lógica e o bom-senso. Observa que a mudança do Código Penal não significa “descriminalizar o aborto”; porém, conclui que, nos casos previstos, “a interrupção da gestação NÃO CONFIGURARÁ CRIME”.

Para os Conselhos de Medicina o aborto deve ser permitido por conta de aspectos “sociais”, “epidemiológicos” e de “saúde pública”. Esta alegação já é escandalosa quando esgoelada pela militância abortista; mas é absurda quando pronunciada por instituições que têm por princípio “fiscalizar” a saúde e a “prática médica”. Porque, no ano de 2010 - segundo dados do Ministério da Saúde (Sistema DATASUS) – morreram 154 gestantes em decorrência do aborto [3]. Número que incluí abortos “espontâneos”, e não apenas os “provocados”. Portanto, não há nenhum critério “social”, “epidemiológico” ou de “saúde pública” que justifique a prática do aborto – principalmente porque a legislação brasileira já permite o procedimento no caso de risco de vida da gestante.

Com o aborto regulamentado, observam os Conselhos de Medicina, haveria 92% de chance de salvar a vida das gestantes que recorrem à prática de forma clandestina. No entanto, o que os Conselhos não observaram é que a posição deles troca uma PROBABILIDADE – uma HIPÓTESE – por uma CERTEZA: a MORTE do feto.

Enfim, o Conselho Federal e conselhos regionais de Medicina ressaltam que a posição em favor do aborto está fundada em “inúmeros estudos e contribuições”. Não. Uma análise superficial, como a desenvolvida aqui, já é suficiente para mostrar que os Conselhos não deram muita importância para os “estudos”. As instituições que representam profissionais que juraram “exercer a arte da cura” e nunca “favorecer o crime” abraçaram uma “causa”, um projeto de engenharia social: o aborto. Em vez de protegerem a vida, ergueram a bandeira de uma cultura da morte.


Notas.

[1]. Cf. CFM, “Conselhos de Medicina se posicionam a favor da autonomia da mulher em caso de interrupção da gestação” [http://portal.cfm.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=23661:conselhos-de-medicina-se-posicionam-a-favor-da-autonomia-da-mulher-em-caso-de-interrupcao-da-gestacao&catid=3].

[2]. Idem.

Wednesday, March 20, 2013

O Papa é uma "preocupação".


Bruno Braga.



“Habemus Papam!” Bastou o cardeal francês Jean Louis-Tauran anunciar o argentino Jorge Mario Bergoglio como Sumo Pontífice para que, no instante seguinte, o Papa - agora “Francisco” – fosse acusado de colaborar com o Regime Militar em seu país.

Os militares assumiram o poder na Argentina em 1976. Na ocasião, Bergoglio era Prepósito Povincial da “Companhia de Jesus”, superior da ordem jesuíta. Os detratores o acusam de – desta posição privilegiada – ser “conivente”, e até de “colaborar”, com a prisão de dois sacerdotes, Franz Jalics e Orlando Yori.

Bergoglio combateu a “politização” da “Companhia de Jesus”, em um esforço de protegê-la da Teologia “Comunista” da Libertação. Ele pretendia que os sacerdotes se dedicassem à vocação – ao trabalho em suas paróquias -, e não à revolução [1]. Este posicionamento, contudo, não compromete Bergoglio com a política de Estado vigente, e nem com os eventuais crimes cometidos por seus agentes.

Sobre a acusação contra Bergoglio, Orlando Yori não pode mais dar o seu testemunho: ele faleceu em 2000. No entanto, Jalics está vivo - em um mosteiro na Alemanha. Ele divulgou uma nota na qual defende o Papa: “Anos depois tive a oportunidade de conversar com o padre Bergoglio sobre o acontecido. Depois disso celebramos uma missa juntos, em público, e nos abraçamos solenemente. Estou reconciliado com os eventos e considero o assunto encerrado” [2].

A respeito das denuncias de que Bergoglio era cúmplice do Regime Militar, o argentino Adolfo Pérez Esquivel – Prêmio Nobel da Paz, em 1980 – desmente as acusações: “havia bispos que eram cúmplices da ditadura, mas Bergoglio não” [...] [ele] “não tinha vínculo com a ditadura” [3].

Graciela Fernández Meijide, que foi integrante da Comissão Nacional sobre o Desaparecimento de Pessoas (Conadep), criada pelo governo Raúl Alfonsín em 1983, asseverou que o nome de Bergoglio jamais foi mencionado durante as investigações [4].    

Nem mesmo o jornalista Flávio Tavares – que através de atentados, sequestros e assaltos pretendia fazer do Brasil um país Socialista-Comunista [5] – corrobora as acusações feitas contra o Papa. Em 1998, Flávio Tavares conheceu o então arcebisbo Bergoglio: “a humildade no ouvir e a fala mansa ocultavam o homem corajoso e decidido, que protegera perseguidos da ditadura quando sacerdote nos anos 1970”. O jornalista morou em Buenos Aires nos anos iniciais do Regime Militar (1976-77): “Bergoglio, então reitor do seminário, ajudou dezenas de perseguidos e salvou da morte dois sacerdotes tidos pelos militares como ‘subversivos’ pelos trabalhos de catequese operária” [6].   

Alicia Oliveira – advogada, que foi secretária de Direitos Humanos da “Cancilleria” argentina durante o mandato de Néstor Kirchner – exime Bergoglio de qualquer responsabilidade sobre a prisão dos sacerdotes jesuítas [7]. E sobre a atuação do Provincial superior durante o governo militar, Alicia revela: “lembro-me muito bem do caso de um jovem muito parecido com ele, a quem o novo Papa lhe entregou o seu próprio documento de identidade para que pudesse fugir” [...] “tenho plena convicção sobre a honestidade de Bergoglio, não posso dizer a mesma coisa das pessoas que o acusam injustamente” [8].

De fato, o principal acusador de Bergoglio é Horacio Verbitsky. Ele é um ex-integrante do grupo revolucionário Comunista guerrilheiro-terrorista “Montoneros”. Verbitsky promovia assaltos, atentados a bomba, sequestros – ele foi o responsável por enviar $60 milhões de dólares para Cuba, uma fortuna obtida com o pagamento do resgate de Juan e Jorge Born, em 1974.

Em um depoimento judicial – em 2003 -, o Coronel Horacio Losito revelou as atividades criminosas do grupo “Montoneros” e do próprio Verbitsky [9]:

Sobre Verbitsky, Cf. (a) 07:31, atentados terroristas; (b) 09:19, sequestro dos irmãos Born.

Verbitsky, hoje, é apresentado como “jornalista”. No entanto, ele é um “agente político” de Cristina Kirchner. Verbitsky é uma espécie de “ideólogo” – um “Intelectual” - do Kirchnerismo. Exerce forte influência nas decisões do governo argentino, e é conhecido como “Consejero” da Presidente – é “el hombre del crépusculo”, por conta de suas reuniões com ela ao entardecer.

Quando Bergoglio se tornou Papa – “Francisco” -, o mundo soube das relações tensas e conflituosas entre ele e a Presidente da Argentina, Cristina Kirchner. Bergoglio acusou o populismo do governo, mas o enfrentou, sobretudo, por causa da aprovação da lei que instituiu o casamento gay, em 2010.  

Um Papa tem uma importância espiritual – religiosa, para os fiéis da Igreja Católica. No entanto, ele também tem uma representatividade político-social. Sob esta perspectiva, as acusações infundadas contra o Papa Francisco – conduzidas, principalmente, por um agente do kirchnerismo – adquirem significado. Mas, não apenas dentro de um contexto local, o da Argentina. Francisco é um Papa latino-americano – e em um continente dominado pelos revolucionários Socialistas-Comunistas, ele se torna uma ameaça para todos eles.

O jornalista Kennedy Alencar – que tem trânsito dentro do PT, pois foi assessor de imprensa de Lula – afirma que o “Palácio do Planalto respirou aliviado com a escolha de um Papa argentino”. Porque, fosse escolhido Dom Odilo Scherer, o “Governo Dilma” teria que enfrentar uma “voz forte e conservadora para opinar sobre a política brasileira”. Nas eleições de 2010, “Dilma e o PT” tiveram atritos com a Igreja Católica por causa do aborto. Portanto, conclui o jornalista, “um Papa brasileiro seria fonte certa de conflito”.



Porém, Cristina Kirchner defende praticamente as mesmas “bandeiras” que Dilma Rousseff. Aliás, elas são aliadas, compõem o grupo que governa a América Latina. Por isso, “Francisco” não é uma “preocupação” apenas para a Presidente da Argentina, mas para todos os governos revolucionários Socialistas-Comunistas do Continente, que têm uma “agenda” incompatível com os princípios do Papa, com os da Igreja Católica. As acusações – as denúncias rasteiras – contra Francisco têm um propósito: proteger um ambicioso e funesto projeto de poder, que tem dimensões continentais. Porque Bergoglio pode ter – para a América Latina – o mesmo significado que Wojtyla para a Polônia e para o Leste Europeu [10].
  

Notas.

[1]. BRAGA, Bruno. “Francisco” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/francisco.html].

[2]. Clarin. Suplemento Especial, “El Papa del fin del mundo”, 17 de Março de 2013, p. 20 [http://contenidos2.clarin.com/edicion-electronica/20130317/index.html#/20/zoomed].

[3]. Clarin, “Pérez Esquivel: Bergoglio no tenia vínculo con la dictadura”, 14 de Março de 2013 [http://www.clarin.com/mundo/Perez-Esquivel-Bergoglio-vinculo-dictadura_0_882511909.html].

[4]. O Globo, “Visões opostas sobre o papel na ditadura”, 15 de Março de 2013 [http://oglobo.globo.com/mundo/visoes-opostas-sobre-papel-na-ditadura-7846164].

[5]. BRAGA, Bruno. “Surto infausto” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/01/surto-infausto.html].

[6]. Flávio Tavares, “Abençoado seja! O abençoado”, 17 de Março de 2013 [http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2013/03/17/artigo-abencoado-seja-o-abencoado/?topo=13,1,1,,,13].

[7]. Clarin, “Cuando la dictadura me echó, él estuvo permanentemente conmigo”, 14 de Março de 2013 [http://www.clarin.com/mundo/dictadura-echo-permanentemente-conmigo_0_882511915.html].

[8]. Cf. Nota [4].

[9]. O depoimento do Coronel Horacio Losito é um documento valioso. Não apenas para esclarecer o contexto político e social da Argentina durante o Regime Militar. Ele é um alerta para os militares brasileiros. O Coronel Losito foi processado e condenado por “violação dos direitos humanos”. Ele foi julgado por um tribunal “revisionista”, forjado para transformar a versão revolucionária na História oficial de um país. Este é exatamente o propósito da “Comissão da Verdade” – quer dizer, da mentira – no Brasil. Cf. BRAGA, Bruno. “Inspirando-se nos ‘hermanos’” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/04/inspirando-se-nos-hermanos.html].

[10]. BRAGA, Bruno. “Francisco” [http://b-braga.blogspot.com.br/2013/03/francisco.html].



Saturday, March 16, 2013

Francisco.


Bruno Braga.



A fumaça branca sobre a Capela Sistina anunciou a escolha de um novo Papa. Reclusos, os cardeais da Igreja Católica decidiram o sucessor de Bento XVI. O argentino Jorge Mario Bergoglio - que adotou o nome “Francisco” – é agora o Sumo Pontífice.

A escolha - a princípio - foi uma surpresa. Bergoglio teria sido – de acordo com o controverso diário de um anônimo cardeal eleitor - o grande “adversário” de Joseph Ratzinger no Conclave do qual este saiu Papa Bento XVI. Apesar disso, para a sucessão do próprio Bento XVI, o nome de Bergoglio não estava nas listas de apostas elaboradas – e forjadas – por jornalistas palpiteiros e “vaticanistas” de última hora.

Pela primeira vez um Papa latino-americano – pela primeira vez um jesuíta. A escolha do Colégio de Cardeais foi ainda mais surpreendente.  

Os paladinos da “modernidade” e do “novo mundo” aproveitaram a novidade da origem do Papa para associá-la às “mudanças” – à “abertura” – que exigem da Igreja Católica. Sim, a escolha de um cardeal que vem da América Latina é significativa; não, porém, para anunciar “transformações” radicais. Porque o Sumo Pontífice tem, antes de tudo, o dever de conservar, de ser o guardião da identidade da Igreja, não importa de onde ele vem, ainda que seja do “fim do mundo”.

O argentino Bergoglio é – por princípio e formação – um “soldado” do Papa. Jesuíta, ele é membro da ordem fundada por Inácio de Loyola no século XVI: a “Companhia de Jesus,” conhecida por ser a “milícia” da Igreja Católica – pelo trabalho missionário e pastoral, e pela disciplina e fidelidade.

Mas, agora Bergoglio não é somente um “soldado”, ele é o próprio Papa. E antes de aceitar a escolha do Colégio de Cardeais, Bergoglio deu provas de sua fidelidade à Igreja Católica. Em seu país ele combateu o populismo gay e lutou contra o ativismo abortista. Durante o Regime Militar, Bergoglio se esforçou para proteger sua ordem da tentativa de assalto promovida pela Teologia “Comunista” da Libertação, que pretendia subverter a essência dela – em nome de Marx e com um fuzil na mão [1] -, transformando-a em instrumento anticatólico da revolução. Para conservar a unidade da “Companhia de Jesus” ele recorreu à tradição espiritual dos jesuítas, insistindo para que os padres permanecessem firmes no trabalho em suas paróquias [2].

A oposição de Bergoglio à Teologia “Comunista” da Libertação é significativa. Dedicado ao trabalho social, ele é a prova viva de que o “compromisso com os pobres” não é criação e nem monopólio dos teólogos, religiosos e simpatizantes da revolução. A preocupação com os “marginalizados” e com os “excluídos” está no nascimento da Igreja Católica, e não foi abandonada ao longo de sua História. Algo que qualquer pessoa, independentemente da sua religião, com um mínimo de boa-fé – e não idiotizada pela propaganda revolucionária da “libertação” – pode reconhecer.   
  

Bergoglio beija os pés de uma criança com Aids.


Neste sentido, o nome “Francisco” também é importante. Ele faz referência a Francisco Xavier, cofundador e pioneiro da “Companhia de Jesus”, conhecido pelo trabalho missionário e educacional, sobretudo na Ásia – por isso é chamado de “Apóstolo do Oriente”. Mas, “Francisco” é principalmente uma remissão a São Francisco de Assis. O santo de hábitos e de vida simples – comportamento cultivado por Bergoglio –, que enfrentou a corrupção e os excessos dos membros do clero com trabalho e sacrifício, com o exemplo de sua conduta. Assim ele renovou a Igreja, sem abandonar a fidelidade ao Papa. Os teólogos e religiosos da libertação-comunista, ao contrário de Francisco, denunciam a hierarquia da Igreja Católica e excomungam o Sumo Pontífice sob o pretexto de agirem em favor dos “pobres”; mas, esta é apenas a forma dissimulada de reivindicar o “poder” que tanto condenam. O poder total que eles e seu bando revolucionário – tomados por um macabro surto de autodivinização - julgam necessário para realizar aqui, neste mundo, o “Paraíso Celeste”.   

Sob esta perspectiva política, a origem do Papa Francisco adquire um contorno especial. A escolha do cardeal argentino Bergoglio – para a América Latina - pode ter o mesmo significado que a de Wojtyla para a Polônia e para o Leste Europeu [3]. O Papa João Paulo II foi um dos grandes opositores do Comunismo durante o seu Pontificado. Francisco vem de um continente dominado pelos revolucionários latino-americanos. Eles que estão reunidos no Foro de São Paulo – na organização criada por Lula e por Fidel Castro, que tem um propósito declarado: restaurar na América Latina o que foi perdido no Leste Europeu. A Teologia da Libertação foi – e é – um valioso instrumento para a realização deste funesto projeto de poder: é o que confessa um dos principais apóstolos da revolução, o ex-Presidente do Paraguai, Fernando Lugo [4].


João Paulo II e Bergoglio.

Um nome inesperado para o Ministério Petrino - um jesuíta, um latino-americano. Mas, antes de tudo um “soldado” que deu provas de sua fidelidade à Igreja Católica, e que mostra o quanto ainda pode trabalhar por ela. Bergoglio, a escolha que surpreendeu o mundo certamente não foi por acaso – e pode não ter surpreendido o seu próprio predecessor.   

O grupo “Comunhão e Libertação” marca certa proximidade entre Joseph Ratzinger e Jorge Bergoglio. Criado pelo Padre Luigi Giussani em meados do século passado, o grupo nasce com o objetivo de cuidar da educação tradicional cristã, principalmente dos jovens estudantes, que frequentemente eram – e são - cooptados por grupos revolucionários. Em 2005, antes de ser Bento XVI, o cardeal Ratzinger fez a homilia do funeral do Padre Giussani. Bergoglio – que ainda não era Francisco – participou como orador das reuniões do grupo “Comunhão e Libertação”, e divulgou os livros de Giussani em feiras literárias na Argentina [5].

Sandro Magister – estudioso dos assuntos da Igreja Católica – relembra que Bergoglio e Ratzinger não foram propriamente “adversários” no Conclave de 2005. Pelo contrário, o cardeal argentino foi um dos maiores defensores da escolha de Ratzinger como Chefe do Colégio dos Apóstolos. Bergoglio teria recebido vários votos – contra a sua própria vontade – de cardeais que pretendiam impedir a escolha de Ratzinger [6]. A estratégia não prosperou, e Ratzinger – para a satisfação de Bergoglio - tornou-se Bento XVI.

João Paulo II e Joseph Ratzinger.

Em Dezembro de 2011, quando fez 75 anos, Bergoglio apresentou sua renúncia ao cargo de Arcebispo. Mas o Papa não a aceitou [7]. E fez mais – antes de renunciar o Pontificado, Bento XVI designou o então cardeal argentino para uma posição de destaque na Pontifícia Comissão para a América Latina – organismo da Cúria romana que tem o propósito de estudar, aconselhar e ajudar as Igrejas particulares em questões doutrinais e pastorais.

Sobre o Conclave que surpreendeu o mundo, inclusive pela rapidez, Christoph Schönborn – arcebispo de Viena – fez uma declaração no mínimo curiosa: “Eu não vou dizer como são as conversas, que são internas. Mas uma coisa é certa: o cardeal Bergoglio não teria se tornado papa na quinta votação se não fosse um nome realmente forte para o papado desde o começo” [7].

Não é possível afirmar que Bento XVI preparou a sua sucessão. O processo é sigiloso – e os desdobramentos internos daquele que chamou a atenção do mundo estão preservados da publicidade. Mas, se ele de fato o fez, esta parece ser mais uma de suas grandes obras: ter sido Bergoglio – agora Francisco – o escolhido.      


Bento XVI e o cardeal Bergoglio.


Notas.

[1]. Sandro Magister, “Il primo papa di nome Francesco”  [http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350465] (Fonte, Mirian Macedo)

[2]. John Allen Jr. “New Pope, Jesuit Bergoglio, was runner-up in 2005 Conclave” [http://ncronline.org/blogs/ncr-today/papabile-day-men-who-could-be-pope-13]

[3]. Desdobro algumas considerações a partir da observação providencial do jornalista Percival Puggina.                  

[4]. Cf. BRAGA, Bruno. “O engodo da libertação e o poder” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/10/o-engodo-da-libertacao-e-o-poder.html]. Sobre a dimensão do poder do Foro de São Paulo na América Latina, Cf. BRAGA Bruno, “Sob o efeito do encanto” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/07/sob-o-efeito-do-encanto.html]; “Entre peças e engrenagens” [http://b-braga.blogspot.com.br/2012/12/entre-pecas-e-engrenagens.html].

[5]. Cf. Nota [2].

[6]. Cf. Nota [1].

[7]. ACI Digital, “Do ônibus ao Papa móvel: o que não conhecemos do novo Papa Francisco”, 14 de Março de 2013 [http://acidigital.com/noticia.php?id=25083].

[8]. Cf. Folha de São Paulo, 14 de Março de 2013. “Papa Francisco sempre foi favorito, diz cardeal” [http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1246388-papa-francisco-sempre-foi-favorito-diz-cardeal.shtml].