Friday, August 31, 2012

Nota de esclarecimento III.


Bruno Braga.


Em resposta à segunda nota de esclarecimento [aqui], o Sr. Gilson, moderador da comunidade “Barbacena” do Orkut, observou o seguinte. Que os tópicos do Blog “Der Shatten” foram deletados porque a criação deles infringiu algumas regras que regem o espaço – um protocolo estabelecido em 2007. Além disso, mencionou que o Blog não tem referência direta com a cidade de Barbacena, o tema central da Comunidade.
Apesar dos esclarecimentos prestados, foi necessário chamar a atenção do Sr. Gilson para algumas questões – que estão reproduzidas na mensagem abaixo (em itálico). O conteúdo inteiro das correspondências pode ser acessado na Comunidade “Barbacena” do Orkut, tópico “Nota de esclarecimento” [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35465].

***

Caro Gilson,

Agradeço os esclarecimentos, embora seja preciso fazer algumas observações.

Concordo – respondendo à sua pergunta – que seja necessário estabelecer algumas normas mínimas de organização para a Comunidade. No entanto, cabe ao “moderador” advertir o usuário, no caso da infração, para que ele possa se adequar às regras. No caso em tela, antes de promover a exclusão dos tópicos relacionados ao blog “Der Shatten”, ou mesmo depois dela, você, o “moderador”, deveria ter observado a existência deste protocolo – que remonta a 2007 – como forma de orientação.

Ademais, embora o Blog “Der Shatten” não seja inteiramente dedicado a Barbacena, ele tem relação sim com a cidade – a seção “Comentários” apresenta um vasto mostruário deste vínculo. Um dos tópicos excluídos, inclusive, se referia ao cenário político de Barbacena para as próximas eleições (Cf. Artigo “Até um míope e estrábico...” [http://dershatten.blogspot.com.br/2012/08/ate-um-miope-e-estrabico.html]).
Dito isto, Gilson, agradeço novamente os esclarecimentos prestados. E desde já informo que eles serão reportados no Blog “Der Shatten”.

Atenciosamente,
Bruno Braga.

Belo Horizonte, 30 de Agosto de 2012. 

  

Tuesday, August 28, 2012

Nota de esclarecimento II.


Bruno Braga.


Em resposta à Nota publicada anteriormente [aqui], Leonardo de Araújo Silva, proprietário da comunidade “Barbacena” do Orkut [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35465], observou que não tinha ciência do episódio relatado - os tópicos excluídos da comunidade, referentes à atualização do Blog “Der Shatten”. No entanto, indicou o contato com o Sr. “Gilson” – porque, enquanto moderador do espaço, ele poderia prestar os devidos esclarecimentos, e se não foi ele mesmo, o Sr. Gilson, quem promoveu a exclusão dos tópicos, não haveria motivo para o desaparecimento dos mesmos.

O Sr. Gilson foi imediatamente contatado para explicar o ocorrido; porém, ele não retornou a mensagem.

O Sr. Gilson foi informado sobre a publicação desta segunda nota para, caso ainda se disponha, explicar o funesto episódio.


Sunday, August 26, 2012

Nota de esclarecimento.


Bruno Braga.



A mensagem reproduzida logo abaixo - caracteres em itálico - foi enviada a Leonardo Araújo, proprietário da comunidade “Barbacena” no Orkut [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35465]. Trata-se de um pedido de esclarecimento sobre o fato de terem sido deletados os tópicos criados para informar a atualização do Blog “Der Shatten” – exceção feita ao do artigo “Um contraste radical”, sob a circunstância descrita a seguir.

Apesar de a mensagem não ter sido respondida, este espaço permanece aberto para as considerações que Leonardo Araújo julgar pertinente fazer, tendo sido ele informado da publicação desta nota.

***

Caro Leonardo,

Porque você figura como proprietário da comunidade “Barbacena” no Orkut [http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=35465], solicito-lhe um esclarecimento: a razão pela qual os tópicos que criei para informar sobre as atualizações do meu Blog - Der Shatten - terem sido apagados.

Dos tópicos restou apenas o mais recente - o do artigo “Um contraste radical” -, que quando criado, já não estavam presentes os mais antigos.

Aguardo uma resposta.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 23 de Agosto de 2012.






Wednesday, August 22, 2012

Um contraste radical.


Bruno Braga.

“Havia alguma coisa seriamente errada com Che Guevara”.
Roberto Martín-Pérez [1].


Sobre a minha mesa, de um lado a “Apologia de Sócrates” escrita por Platão, do outro o livro de Humberto Fontova a respeito de Che Guevara. O primeiro escrito, um elogio ao filósofo ateniense; já o segundo, a desconstrução de um dos maiores ídolos da cultura contemporânea. Independentemente do caráter e do estilo dos textos, existe entre eles outro contraste, que é o mais radical: o estado de consciência dos seus protagonistas.

Platão, na medida em que reproduz a defesa do mestre no tribunal ateniense, expõe o drama vivido por Sócrates, que não é ofuscado nem diminuído pela forma literária ou pelos floreios e adornos da narrativa: a busca do filósofo grego para compreender a sentença oracular que o apontou como o homem mais sábio de Atenas. Sócrates abordou todos os que tinham publicamente a reputação de sábios - o político, o poeta e o artesão -; depois de interrogá-los ele concluiu que, de fato, tinha um conhecimento a mais do que aqueles que acreditam saber e nada sabiam: Sócrates sabia que nada sabia. E ele convocava não apenas estes, mas todos os seus interlocutores a um estado de consciência no qual compareciam como testemunhas da própria ignorância: suas perguntas e questões, através do diálogo, desfaziam os simulacros de conhecimento, os preconceitos e estereótipos sustentados com inocente convicção.  

Che Guevara, no entanto, foi uma espécie de antípoda de Sócrates. Em vez da dúvida, a certeza imediata. Enquanto revolucionário Che acreditava pertencer ao mais alto escalão da humanidade. Estava seguro de sua alta capacidade como guerrilheiro, embora fosse um completo covarde, com pouca habilidade para manusear uma arma e sem nenhuma competência para comandar uma coluna de combatentes. Assumiu a condução de uma economia bem sucedida no período pré-revolucionário e a destruiu por completo. Che estava convicto de sua luta contra a injustiça e contra a opressão, ao mesmo tempo em que se deleitava com o sangue dos fuzilamentos que ele indiscriminadamente conduzia. O mesmo paladino da liberdade era o que proclamava a onipotência da sua vontade:

“O que quer que me dê na telha é uma ordem, entendeu, porra?”

Martín-Perez não precisou recorrer a um instrumento técnico – um diagnóstico de Psicopatia ou a descrição de um delírio de onipotência -; ele reconheceu aquilo que está ao alcance dos olhos da carne: havia alguma coisa seriamente errada com Che Guevara. O contraste entre o revolucionário e Sócrates não está na ocupação – a Filosofia não impediu que Bertrand Russell louvasse um bandido sanguinário, e nem que Sartre o considerasse “o nosso homem mais perfeito”. O elemento distintivo estava no apelo à consciência, no testemunho interior em que o indivíduo comparece diante de si mesmo e que Sócrates obedientemente perseguiu como uma ordem divina: “conhece-te a ti mesmo”.


Referências.

[1]. Martín-Pérez foi amigo de infância de Aleida March, viúva de Che Guevara, e ficou preso durante vinte anos em La Cabaña, onde o revolucionário comandava fuzilamentos.

Bibliografia.

FONTOVA, Humberto. O Verdadeiro Che Guevara: e os idiotas úteis que o idolatram. Editora É Realizações: São Paulo, 2009.

PLATÃO. Apologia de Sócrates. Editora Nova Cultural: São Paulo, 2000. Coleção “Os Pensadores”.

Leitura sugerida.

BRAGA, Bruno. “Culto a ‘El Chancho’” [http://b-braga.blogspot.com.br/2011/09/culto-el-chancho_01.html].

Filmografia.



Friday, August 17, 2012

Material de apoio.


Bruno Braga.


Publico, logo abaixo, a tradução de trechos de um opúsculo de Schopenhauer. O objetivo é estimular a reflexão iniciada com o artigo “A exortação de Ajaz” [aqui] – e que passa pela sugestão de leitura de “Liberdade para escolher o próprio caráter?” [aqui] e de “A lucidez dos momentos traumáticos” [aqui].

Observo que a utilização do texto schopenhaueriano não tem o propósito de fundamentar uma posição recorrendo a um argumento de autoridade. Isto porque, estes trechos pressupõem uma estrutura teórica que, embora não apareça aqui, é, como qualquer outra, passível de contestação. De qualquer maneira, os fragmentos são um contributo valioso para a reflexão proposta a partir do itinerário apresentado.

SCHOPENHAUER, Arthur. Parerga y Paralipomena I: Aforismos sobre la sabiduría de la vida. Trad. Antonio Zozaya. Editora Ágora: España [s.d]. Tradução livre para o português, Bruno Braga.

p. 144.

“O viajante, somente quando alcança uma elevação, abarca com um olhar e reconhece todo o caminho percorrido, com seus desvios e suas curvas; do mesmo modo, só ao término de um período de nossa existência, às vezes da vida inteira, reconhecemos a verdadeira conexão de nossos atos, de nossas produções e de nossas obras, seu enlace preciso, seu encadeamento e seu valor. Com efeito, enquanto estamos abismados em nossa atividade, não agimos senão seguindo as propriedades de nosso caráter, sob a influência dos motivos e na medida de nossas faculdades, quer dizer, por uma necessidade absoluta; não fazemos em dado momento senão o que neste momento nos parece justo e conveniente. Apenas o tempo nos permite apreciar o resultado, e o olhar para o passado nos mostra o como e o porquê. Assim, no momento que realizamos as grandes ações, em que criamos obras imortais, não temos consciência de sua verdadeira natureza; só nos parece o mais apropriado ao nosso atual objetivo e o mais adequado às nossas intenções; não temos outra impressão que a de haver feito o que no instante era preciso fazer; somente mais tarde, do conjunto e do seu encadeamento, nosso caráter e nossas faculdades são expostas à luz do dia; através dos detalhes, vemos então como seguimos o único caminho verdadeiro, entre tantos caminhos tortuosos, como por inspiração e guiados por nosso gênio. Tudo quanto acabamos de dizer é verdadeiro em teoria e na prática, e se aplica aos fatos inversos, quer dizer, ao mal e ao falso”.

p. 209.

“Há em nós algo mais circunspecto que a cabeça. Agimos, com efeito, nas grandes situações, nas mais importantes da vida, menos por um conhecimento exato do que convém fazer que por um impulso interior; pode-se dizer que por um impulso proveniente do mais profundo do nosso ser, e logo criticamos nossa conduta em virtude de noções precisas, mas às vezes mesquinhas, imitadas, e até mesmo emprestadas, segundo regras gerais, ou segundo o exemplo do que outros fizeram, e assim sucessivamente, sem pensar bastante que ‘uma coisa não convém a todos’; desta maneira nos fazemos facilmente injustos para com nós mesmos. Mas o fim demonstra quem tinha razão, e somente uma velhice que se espera sem constrangimento autoriza a julgar a questão tanto em relação ao mundo exterior como em relação a si mesmo”.

p. 210.

“Agir em virtude de princípios abstratos é difícil, e não se consegue senão depois de um longo aprendizado e, mesmo assim, nem sempre; às vezes, também, estes princípios são insuficientes. Ao contrário, cada qual possui certos princípios inatos e concretos, em seu sangue e em sua carne, porque são o resultado de todo seu pensar, do seu sentir e de seu querer. Na maior parte do tempo eles não são conhecidos in abstracto, e somente fixando o seu olhar sobre a sua vida passada nota que obedeceu sem cessar e foi guiado por estes princípios como por um fio invisível. Segundo sua qualidade o guiaram à sua felicidade ou ao seu infortúnio”.