Sunday, February 05, 2012

Eles falam em nome de quem?

Bruno Braga.



Definitivamente, o número de adeptos que defendem e apoiam uma tese ou ideia não é o critério legítimo de aferição da Verdade. A grande massa pode ser conduzida pelo erro - um único homem pode ser o portador da Verdade, porque para buscá-la não é necessário somar partidários, mas examinar objetivamente as questões e os fatos. No entanto, quando certos temas são colocados na pauta das discussões públicas por pessoas e grupos que se impõem em nome do “povo”, e por isso reivindicam poder e autoridade para “transformar o mundo”, então é pertinente consultar os interessados – isto é, o próprio público. Afinal, os “revolucionários” também discursam em nome da “democracia”.

A agenda de transformações sociais tem alguns tópicos recorrentes que, julgam os idealizadores dela, são fundamentais para que se transforme em realidade o proclamado “mundo melhor”. São eles: o aborto; os interesses homossexuais; a descriminalização das drogas; o comércio e porte de armas. Se estes assuntos não são discutidos diretamente, alguns fatos e eventos servem como ponte para estimular os debates – por exemplo, o caso da reintegração de posse do prédio da Reitoria da USP e a ação de desocupação da “Cracolândia”, em São Paulo. Como pessoas e grupos tomam parte nestas questões em nome do “povo”, da “sociedade”, então, é necessário verificar se eles advogam legitimamente, isto é, se reproduzem a voz dos seus “protegidos”.

Sobre os tópicos gerais foi possível apurar: 

Aborto. 68% dos brasileiros são contra qualquer mudança na legislação que regulamenta o aborto [1]; e 72,7% são contra a legalização do aborto [2].

Interesses homossexuais. 55% dos brasileiros são contrários à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união homoafetiva [3].

Descriminalização das drogas. 78,6% são contra a descriminalização das drogas [4]; e, mais especificamente, sobre a maconha, 76% são a favor da sua proibição [5].

Comércio e porte de armas. Em 2005, 63,94% dos brasileiros rejeitaram, através de um referendo, a proposta para proibir o comércio de armas de fogo e de munição [6].


Agora, sobre os fatos e eventos particulares verificou-se o seguinte:

Reintegração de posse da Reitoria da USP. 58% dos estudantes da USP são a favor do policiamento no Campus da Universidade [7].

Desocupação da “Cracolândia”. 82% dos moradores da cidade de São Paulo apoiam a ação [8].


Enfim, os dados apresentados revelam que os “revolucionários”, os “idealizadores do novo mundo”, não têm legitimidade para se proclamarem “defensores do povo”, porque eles não reproduzem as posições da própria “sociedade”. Acontece que, certos de que são a estirpe dos “iluminados”, detentores da suprema sabedoria intelectual, e sem qualquer mácula moral, eles se julgam capazes de traçar o destino da humanidade. Para que o transformador projeto de engenharia social seja realizado, não importam os mecanismos de obtenção de poder – se não o alcançam pela via “democrática”, vale a fraude, o artifício, e até mesmo a força. Esta militância ostensiva produz efeitos imediatos, pois através do barulho, do berro e da gritaria, o cidadão comum é constrangido e intimidado – confuso e sem voz, ele se torna um suposto “protegido”, é parte daquela “sociedade” em nome da qual os “revolucionários” proclamam o advento de um obscuro “mundo maravilhoso”.



Referências.

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