Thursday, June 30, 2011

Segunda intervenção.

Bruno Braga.


 

O texto abaixo – gravado em itálico – é minha segunda intervenção no debate sobre o artigo "Guinada à direita do Governo Dilma Rousseff", de Francisco Fernandes Ladeira. Esta discussão pode ser acompanhada no Blog "ZinneCult" [http://zinnecult.zip.net], onde é permitido também a intervenção de qualquer interessado.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 30 de Junho de 2011.

***

Em resposta aos últimos comentários – àqueles que têm relação com os temas lançados pelo texto principal e com as observações que fiz anteriormente - escrevo:

Caro Francisco,

Sugiro que releia atentamente o meu comentário, pois sua postagem (26.06.2011 – 01:36) contém um equívoco de compreensão. Eu não afirmei que há uma aliança entre PT e PSDB para implantar o Comunismo no Brasil. Apontei, no passado, uma aliança entre uma "elite intelectual uspiana" e o "movimento sindical" – ambos com origens no Socialismo-comunismo - que configurou o quadro atual da política brasileira. A polarização PT/PSDB é um desdobramento posterior, apenas para disputa de cargos e poder, mas que não apaga os traços principais daquela raiz comum. Esta explicação está bem clara no meu comentário (Cf. O primeiro parágrafo).

"Golpe de Estado" e "Jair Bolsonaro" são elementos estranhos ao meu texto: são acréscimos e ampliações promovidas por você mesmo, Francisco, pois em minha análise não há nada que faça menção a eles.

Nas mesmas linhas em que acrescenta palavras ao meu texto por sua própria conta, Francisco, você se expressa de maneira aparentemente irônica, assim: "Os Socialistas-comunistas estão querendo dominar o mundo [...]". Gostaria de trazer à sua memória a célebre convocação do mais nobre "Intelectual revolucionário", Karl Marx, que fecha o "Manifesto do Partido Comunista": "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos!" (o grifo é meu) Desde a sua origem, Francisco, o projeto Socialista-comunista é internacional; e, embora não seja o único projeto que disputa o poder no mundo contemporâneo, ele é, sobretudo sob a orientação Russo-chinesa, um deles. Na Rússia a velha KGB (agora FSB) volta ao poder com Vladimir Putin (Sobre o tema recomendo o Documentário "The Putin System"); na China, por sua vez, o Partido Comunista rege o país. Não preciso dizer, Francisco, que "em pleno século XXI", estas não são potencias de segunda categoria.

Supondo que o esquema Russo-chinês possa parecer para você, Francisco, muito distante da realidade nacional – o que até mesmo um olhar displicente sobre o cenário político, econômico e cultural constataria o contrário – estude o Foro de São Paulo. Este é a entidade encarregada de fomentar o Socialismo-comunismo na América Latina sob a orientação de Lula e Fidel Castro – posteriormente foi fortalecido pela esquerda latino-americana que passou a ocupar as principais cadeiras do poder.

Mas é possível reduzir ainda mais o espectro da abordagem, e tratar propriamente do Brasil. Os Ministérios são postos estratégicos para o Governo Federal [http://www.presidencia.gov.br/ministros]. O da educação é ocupado por Fernando Haddad, que publicou livros com títulos sugestivos: "O Sistema Soviético" (1992); "Em Defesa do Socialismo e Desorganizando o Consenso" (1998); "Sindicatos, Cooperativas e Socialismo" (2003). O Ministro dos Esportes é Orlando Silva Jr., do PC do B (Partido Comunista do Brasil), que exerce papel fundamental na preparação do país para a realização dos dois maiores eventos esportivos do mundo – algo que está mobilizando recursos financeiros incalculáveis. O Ministro-chefe da Secretaria de Portos é José Leônidas Cristino, e o Ministro da Integração Nacional é Fernando Bezerra Coelho – ambos do PSB (Partido Socialista Brasileiro). Em outros poderes, como no Legislativo, por exemplo, Manuela D'Ávila, do PC do B (Partido Comunista do Brasil) ocupa a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados [http://www2.camara.gov.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm/membros]. Enfim, relacionei, Francisco, apenas algumas autoridades filiadas a siglas nominalmente "Socialistas-comunistas" e que ocupam posições estratégicas, e de grande importância, na esfera do Poder Federal. Não foi preciso nem recorrer ao PT, o partido mais poderoso, para mostrar a força dos "revolucionários". Deste faço menção apenas a Maria do Rosário, Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que, embora filiada ao PT, iniciou sua carreira política no PC do B.

Agora, é preciso questionar: será que estas e outras autoridades utilizam as siglas Socialistas-comunista apenas como um "enfeite"? Quer dizer, elas afastam todos os seus princípios e ideais para utilizarem apenas os símbolos, as bandeiras vermelhas, que vestem bem e combinam com qualquer "modelito"?

É preciso esclarecer, particularmente sobre o PC do B, que ele é um partido de orientação maoísta. Isto quer dizer que segue os princípios de um estuprador, genocida, responsável pela morte de mais de 60 milhões de pessoas dentro do seu próprio país. Portanto, mesmo quem não pertence aos quadros do PC do B, mas tem simpatia pelo partido e por seus ideais, é cúmplice de genocídio.

Bom, Francisco, você utiliza a referência temporal, com a expressão "em pleno século XXI", para sugerir que a intervenção comunista no Brasil é uma idéia "ultrapassada". Relacionei, para você, alguns exemplos que demonstram a "atualidade" do Socialismo-comunismo em escala mundial, continental e nacional – a lista é obviamente incompleta neste último nível, pois restaria mencionar autoridades do poder estadual, municipal, as Universidades públicas, os Sindicatos, os "Intelectuais". Talvez você, Francisco, considere o "Socialismo-comunismo" ultrapassado por pensar a partir de estereótipos de almanaque, do tipo "estatização total dos meios de produção", "eliminação da propriedade privada" – este almanaque sim está "desatualizado". Porque o Socialismo-comunismo não é uma doutrina, uma teoria engessada (por isso tomou diversas formas, de acordo com o domínio em que seria implantado); mas é, fundamentalmente, uma estratégia para a concentração de poder.

Dito isto, é necessário acrescentar mais uma observação sobre a sua idéia de que o Socialismo-comunismo é algo "ultrapassado", Francisco – uma observação de ordem conceitual. Uma das características de um agente histórico é a sua continuidade no tempo. Em outras palavras, nós - eu, você – temos um tempo médio de vida, mas logo seremos tragados pela morte; os agentes históricos, ao contrário, ultrapassam o período médio de existência de um indivíduo, e perduram por gerações. São exemplos de agentes históricos, embora não tenham poderes equivalentes, a Igreja Católica, a Comunidade Judaica, a tradição islâmica, as Famílias reais, a Maçonaria, as Grandes fortunas capitalistas, etc. – são projetos perpetuados por décadas, séculos de história, e entre os quais se inclui o Socialismo-Comunismo, materializado nos partidos e movimentos revolucionários.

Bom, Francisco, você se espanta com o que eu "acho" sobre a intervenção Socialista-comunista no Brasil. No entanto, eu não "acho" nada. Isto porque, a respeito deste tema eu lhe forneci uma prova de "Fonte primária": as Atas do Foro de São Paulo. Elas são documentos, Francisco, assinados pelas próprias autoridades, assumindo compromissos de colaboração e solidariedade. Portanto, não sou eu que "acho", mas nos documentos Lula, Fidel Castro, Frei Betto "afirmam" o que vão fazer. Eu apenas reproduzi os objetivos deles. Não precisa "acreditar" no que estou dizendo, examine você mesmo os documentos. Agora, descartá-los preliminarmente é negligenciar os requisitos básicos para uma investigação séria e honesta – e um obstáculo para a compreensão do que aqueles mesmos personagens, e outros, "já estão fazendo".

A minha abordagem sobre o "Kit gay" também é objeto da sua oposição (25/06/2011 16:32). No entanto, neste assunto, como no caso do Foro de São Paulo, forneci-lhe "fontes primárias" – leis, projetos, notas taquigráficas. Portanto, sugiro que as leia.

Em tom de ironia, Francisco, você menciona o termo "subversão". Acontece que esta é uma estratégia extremamente atual, e por isso merece ser tratada com a devida seriedade. Subversão é um processo "legítimo", "público" e "aberto", através do qual se inocula no domínio "cultural" elementos que facilitem os desdobramentos da "Revolução". Em meus textos "Autovitimização de um frade dominicano" [http://dershatten.blogspot.com/2011/01/autovitimizacao-de-um-frade-dominicano.html] e "Reescrevendo a História" [http://dershatten.blogspot.com/2011/04/reescrevendo-historia.html] você pode verificar, de maneira geral, como funciona esta estratégia. Porém, para uma explicação mais detalhada e teórica, sugiro que assista à entrevista de Yuri Bezmenov, um desertor da KGB, a G. Edward Griffin ("Soviet Subversion of the Free World Press"), da qual poderá obter informações preciosas sobre a "atualidade" da estratégia subversiva.

É isso, Francisco.

Sugiro que releia meu comentário novamente e consulte as fontes, sobretudo as primárias. Isto é, não apenas um pré-requisito para a investigação, mas uma atitude prudente, de modo a evitar ser, como dizia Lênin, um "Polyeznyi".

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 30 de Junho de 2011.

Friday, June 24, 2011

Novo comentário.

Bruno Braga.


 

Abaixo publico um comentário - redigido por mim e gravado em itálico - sobre o texto "Guinada à direita do Governo Dilma Rousseff", de Francisco Fernandes Ladeira. Texto este publicado no Blog "ZinneCult" [http://zinnecult.zip.net], onde é permitido ao leitor, além de acompanhar os debates e discussões, postar as suas próprias observações.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 24 de Junho de 2011.

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Caro Francisco,

O governo Dilma Rousseff não é um desvio de sentido ou de direção das políticas adotadas por seus antecessores imediatos – seja a de seu padrinho e guru Lula, ou a de Fernando Henrique Cardoso. Sim, Fernando Henrique Cardoso. Porque a configuração da política nacional de hoje foi construída no passado, a partir da aliança entre uma elite "intelectual" uspiana – da qual fazia parte o tucano – e os movimentos sindicais – sendo Lula o seu principal líder. Ambos têm raízes no Socialismo e no Comunismo - portanto, são de "esquerda". Os desdobramentos posteriores da disputa eleitoral, incluindo a polarização PT/PSDB, são apenas disputas por cargos e poder, já que os projetos e a ideologia são "quase" idênticos. Digo "quase" porque há apenas uma divergência quanto ao aparelhamento do Estado, que é privilegiado pela esquerda petista. Nos outros domínios não existem divergências substanciais, seja no plano econômico, social, ou nas questões culturais. Sendo assim, não há, entre as principais siglas que disputam o poder no tabuleiro da política nacional, nenhuma de "direita". O termo, "direita", se tornou apenas uma projeção estereotipada – de caráter acusatório e estratégico - promovida pela própria "esquerda" socialista-comunista para denunciar uma "força obscura", indefinida, quando algo obstaculiza as suas ambições.

A estratégia do socialismo-comunismo é a seguinte: avançar de acordo com a recepção pública de seus projetos. Se há uma reação significativa contrária a estes projetos ele recua, apenas adiando suas pretensões; mas se não há oposição, na maioria das vezes por causa da ocultação e da fraude, ele avança. Esta foi a estratégia para o referendo sobre as armas: a população deu a sua resposta, mas, insatisfeitos, os oportunistas não demoraram para explorar a tragédia de Realengo para retomá-lo. Da mesma forma aconteceu com as posições abortistas dos dois principais candidatos na campanha eleitoral para a Presidência da República, e agora se passa o mesmo com o "Kit gay".

Quanto a este último, é um equívoco reduzir o veto da Presidente como resultado exclusivo do "lobby religioso" – para muitos, "fundamentalismo" religioso. Embora protestantes, católicos, tenham realizados manifestações incisivas, houve também uma reação negativa por parte da população quando da publicidade parcial do conteúdo do material didático que seria distribuído nas escolas (Cf. Manifestações em Blogs, Redes sociais, etc.). Aliás, por que o Governo Federal não exibe em cadeia nacional os vídeos incluídos no "Kit" para que os pais decidam sobre a exibição deles para os seus filhos? Qual seria a posição da maioria dos pais? Esta proposta de avaliação pública não agrada muito a Jean Wyllys, deputado LGBT filiado a um partido Socialista (PSOL-RJ), que acredita que o povo brasileiro é "ignorante" para decidir sobre as causas gays (http://www.youtube.com/watch?v=ixm4R63vKt8) – não é preciso observar que o Deputado exerce um mandato público concedido por aqueles mesmos que ele despreza por serem "ignorantes".

A discussão gerada em torno do "Kit gay" ofusca uma questão grave. O Brasil tem um péssimo sistema educacional, comprovado por avaliações nacionais e exames internacionais – nestes o país sempre ocupa as últimas colocações. No entanto, em vez de promover uma campanha publicitária de amplitude nacional para a valorização da alta-cultura, para a melhoria do ambiente escolar, para a formação honesta e sincera dos professores, para investimentos em pesquisa - não, o maior problema da educação brasileira, de acordo com a imensa campanha promovida pela mídia, por jornais, televisão, "Intelectuais", é o ensino da causa gay.

Esta história de "combate à homofobia" é uma falsificação absurda. "Homofobia" é um distúrbio psiquiátrico em que a pessoa apresenta aversão e ojeriza contra homossexuais no grau extremo de desejar matá-los. Agora, quando este mal foi um problema de escala nacional? Nunca. Sim, existe preconceito e discriminação – mas, diante de uma eventual ocorrência, ínfima dentro do senso das proporções, a discrição, o bom senso, o cuidado e o respeito por parte do professor e da escola são suficientes. Acontece que o "Kit gay" não tem nenhuma relação com políticas educacionais; ele é, sim, uma propaganda publicitária do homossexualismo, que seria exibida, Francisco, não para o Ensino Médio, como você afirma, mas já para crianças do Ensino Fundamental [Cf. http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/05/26/diferentemente-do-divulgado-kits-anti-homofobia-eram-para-criancas-de-11-anos-924548005.asp]. E não adianta o Ministério da Educação recuar "estrategicamente" (Cf. exposição acima) ou alegar desconhecimento sobre o conteúdo do projeto e dos vídeos, pois está tudo documentado nas notas taquigráficas da Audiência Pública "Escola sem Homofobia", realizada na Câmara dos Deputados em 23 de Novembro de 2011. Lá consta o público alvo do trabalho, crianças do 6° ao 9° ano (p. 28), além de uma revelação surpreendente do então Secretário de Educação continuada, André Lázaro, de que ele e sua equipe passaram três meses discutindo se deveriam incluir nos vídeos um beijo de língua entre lésbicas (p. 38). Enfim, aberrações como estas demonstram o propósito deste "material didático": vencer o grande desafio do sistema educacional brasileiro, que é, para dizer em termos polidos, ensinar a pederastia, a sodomia. Bom, este é o projeto para a criançada; mas existem propostas para todas as faixas etárias, como a de uma "Bolsa Gay" e o programa, de nome no mínimo estranho, contra a "Homofobia ambiental" (Cf. Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos de LGBT [http://portal.mj.gov.br/sedh/homofobia/planolgbt.pdf], respectivamente Itens 1.2.33 e 1.4.10).

A Presidente Dilma Rousseff vetou o "Kit gay" por causa das reações contrárias ao material didático que seria distribuído nas escolas. No entanto, a proposta foi apenas adiada – ela retornará, de acordo com a "estratégia" socialista-comunista, reajustada ou maquiada. Talvez não precise esperar tanto, pois grupos de Universidades públicas – domínio predominantemente "revolucionário" - já estão desenvolvendo atividades com conteúdo semelhante ao do "Kit gay" nas escolas (Cf. Programa "Globo Educação", http://redeglobo.globo.com/videos/globoeducacao/#/Edições/20110604).

O projeto de lei que criminaliza a homofobia (PL 122/06) é outra aberração. Um de seus artigos (20, §5) adverte que os homossexuais não podem sofrer nenhum constrangimento "filosófico". Ora, o que é um constrangimento "filosófico"? Explico: é todo e qualquer constrangimento; porque seja ele qual for será passível de ser enquadrado neste amplo conceito, "filosófico". Em outras palavras, todas as pessoas podem ser criticadas por causa de seu comportamento – eu, o "João", o "Zé", a Presidente da República, o Padre, o Pastor, o professor, e até Deus; porém, o único que terá imunidade e salvo conduto será o GAY. Se alguém for chamado a opinar sobre a "Parada Gay" deverá se calar ou considerá-la um evento de alta-cultura, uma manifestação artística sublime, ou uma reunião sacro-santa – porque críticas e oposições serão combatidas com o rigor da lei.

É preciso fazer um esclarecimento importante, antes que surja alguma acusação de preconceito ou de "Homofobia" pelo que foi dito. Existe uma diferença entre o Homossexual e a "Ideologia Gay". Ao primeiro o respeito e o cuidado dedicados a toda e qualquer pessoa. Agora, as críticas anteriores são direcionadas à "Ideologia Gay", pois se trata de um grupo de pessoas que diz representar OS -     quer dizer, TODOS – Homossexuais, transformando a sexualidade em instrumento para reivindicar privilégios e construir a carreira política de seus líderes. Um movimento criticado, inclusive, pelos próprios Homossexuais (Cf. Documentário "Não gosto dos meninos" [http://www.youtube.com/watch?v=HHA-WpPSK4s]).

Para concluir sobre o tema da "Ideologia Gay". É parte da estratégia socialista-comunista reduzir a oposição, neste domínio temático, ao "fundamentalismo religioso". Porque um dos seus "Intelectuais" mais ilustres, Georg Lukács, prega que, para a revolução socialista prosperar, é necessário destruir, além do direito romano, da filosofia grega, também a moral judaico-cristã. A grande ironia é comparar o acolhimento dos homossexuais pela religião judaico-cristã com o tratamento dedicado a eles pelos regimes socialistas e comunistas. Casos excepcionais de preconceito e de discriminação são insignificantes perto das práticas de "reeducação", dos "julgamentos públicos", e encarceramentos em hospitais psiquiátricos, promovidos, por exemplo, pelo regime cubano (Cf. Bruno Braga, "Reescrevendo a História" – http://dershatten.blogspot.com).

Os socialistas-comunistas não fazem política apenas com a "Ideologia gayzista". Utilizam também o "Feminismo" e os "Movimentos raciais". Daí a publicidade panfletária: "a primeira mulher Presidente", "o primeiro negro Presidente dos Estados Unidos" [Obs. Não sei se você, Francisco, é pessoalmente socialista-comunista, mas o vocabulário que utiliza é próprio destas correntes de pensamento]. Agora não importa mais o que as pessoas carregam no coração, mas sim a cor com a qual é pintada a sua pele ou o que têm no meio das pernas. Talvez não seja tão profético dizer que, nas futuras eleições, um bom slogan para os pretendentes ao posto mais alto do Executivo seja "o primeiro, ou primeira, Presidente Gay". A julgar o caráter dos candidatos apenas por estes critérios, o poder continuará nas mãos de bandidos, terroristas, sociopatas e fraudes, como Barack Obama – um "liberal" ("esquerdismo" nos Estados Unidos) apoiado por uma elite financeira (que não representa os interesses da população americana, e inclusive sustenta Socialistas-comunistas), cuja verdadeira identidade ninguém sabe qual é.

No que tange às posições do governo brasileiro contra Irã, elas foram muito modestas. A presidente Dilma Rousseff apenas criticou a condenação da iraniana Sakineh Ashtiani à morte por apedrejamento – uma critica mais em defesa do seu sexo do que contra o governo iraniano. No Conselho de Direitos Humanos da ONU o Brasil votou a favor de uma investigação independente sobre os direitos individuais no Irã [http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110325/not_imp696976,0.php]. Isto é praticamente nada. A Presidente Dilma Rousseff e o corpo diplomático brasileiro subordinado a ela deveriam condenar aberta e explicitamente o governo iraniano por violação dos direitos humanos, patrocínio de grupos terroristas, e por desenvolvimento de armas de destruição em massa (Cf. Documentários "Iranium", "Obsession" e "Third Jihad"). Eles não fazem isto porque o Governo brasileiro, com Dilma Rousseff, não se afastou do Irã, Francisco – tanto que ele não pretende desagradar o seu aliado: para não causar constrangimentos a Presidente não se dispôs a receber a advogada iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, e crítica do Regime de Teerã [http://www1.folha.uol.com.br/mundo/929973-nobel-acusa-ira-por-repressao-aos-sirios-veja-entrevista.shtml].

Sobre o PT, não é possível classificá-lo sequer como "partido" - simplesmente porque ele não obedece às regras do jogo político (Obs. Peço encarecidamente que outras siglas não sejam trazidas para um eventual debate, porque o texto principal versa, especificamente, sobre o "Partido dos Trabalhadores"). O PT se utiliza de instrumentos que estão à margem do processo eleitoral, e que violam, inclusive o Código Penal – isto está comprovado nas atas do "Foro de São Paulo", onde o seu presidente de honra estabelece compromissos de apoio e solidariedade a movimentos guerrilheiros, a narcotraficantes e regimes ditatoriais, como o cubano. A título de esclarecimento o "Foro de São Paulo" é a entidade encarregada de promover o Socialismo-comunismo na America Latina.

Ademais, o PT nunca foi "um partido comprometido com os anseios do povo", Francisco. Esta idealização de "partido do povo" foi uma criação promovida através das esferas culturais e também fomentada pela publicidade oficial na medida em que o Partido adquiriu poder. O PT, nos seus primórdios, tinha na classe média letrada o seu principal eleitorado – foi preciso, antes, uma "revolução cultural" para que pudesse alcançar a ascensão política. Sobre o eleitorado "classe média letrada" do PT, consultar o livro "Esquerda e Direita no eleitorado brasileiro", de André Singer.

A respeito dos elogios da mídia "conservadora" - que não é conservadora de maneira alguma, o que pode ser verificado pelo conteúdo de sua programação e publicações. Não é possível associar uma atmosfera pós-eleitoral com concordâncias de linhas de governo, no caso da menção que faz, Francisco, da Revista Veja (se é que a sua referência é a Edição extra da revista, publicada após a eleição presidencial – ou números imediatamente subseqüentes). Agora, sobre os "elogios" da Rede Globo, se possível gostaria da indicação específica da fonte para consulta, para verificar se neste elogio há a assinatura e o carimbo do responsável pela emissora.

Você menciona também, Francisco, os "elogios" da Senadora Kátia Abreu à Presidente Dilma Rousseff em entrevista à Rede TV. Não sei se esta é especificamente a sua referência, pois você não citou a fonte, mas consultei a entrevista dada pela Senadora ao repórter Kennedy Alencar [http://www.redetv.com.br/Video.aspx?113,24,194508,jornalismo,e-noticia,kennedy-alencar-entrevista-katia-abreu-bloco-3 – se a referência for outra, favor indicar]. Nela os "elogios" de Kátia Abreu são feitos, uns, em termos gerais – ela menciona vagamente o "comércio internacional", a questão dos "direitos humanos das crianças, adolescentes e idosos". Outros de maneira equivocada, como o afastamento do Brasil de "governos ditatoriais" - algo que não aconteceu. A Senadora também demonstra indecisão e receio de se comprometer ao tratar da "Comissão da verdade". O único elogio veemente feito por Kátia Abreu foi este: "precisamos, de fato, de uma gestora, e acho que ela pode ser esta gestora". Acontece, Francisco, que o elogio indica, sim, uma "aproximação", mas na ordem inversa da que você indicou: não é a Presidente Dilma que se arrasta para a "direita", mas a Kátia Abreu que passa a apoiar a Presidente da República. Isto fica claro com a fundação do PSD (Partido Social Democrático) – partido para o qual migrou a Senadora, e que nasce negociando apoio ao Governo Federal (Cf. http://www.agora.uol.com.br/brasil/ult10102u902445.shtml). Também sobre isto, confira a entrevista dada por Demóstenes Torres (DEM-GO) à Revista Veja (Edição de 08 de Junho de 2011), da qual transcrevo o seguinte trecho: "Esse novo partido prejudicou muito o DEM. Perdemos políticos expressivos, como a senadora Kátia Abreu, que será uma grande adversária à medida que o PSD se alinhar ao governo. Mas não adianta ficarmos com lamúrias. Por que tentar segurar quem não quer permanecer? Quem quiser ir que vá embora. A maior traição que se pode cometer com o eleitor é ser eleito para integrar a oposição e migrar para a base governista. Vivemos um momento em que muitos políticos se intimidam diante da maioria e se tornam travestis políticos" (os grifos são meus).

Enfim, Francisco, "a guinada à direita do Governo Dilma", como você afirma, não aconteceu, ela "não é fato". De acordo com as considerações anteriores, a Presidente da República continua, sem arrastar o pé, o trabalho do seu padrinho e guru; segue, disciplinadamente, a cartilha dos seus correligionários e dos "Intelectuais revolucionários": a longa marcha Socialista-comunista.

Cordialmente,

Bruno Braga.

Belo Horizonte, 24 de Junho de 2011.

Wednesday, June 15, 2011

Entre o Mestre e o "Intelectual".


Bruno Braga.


É célebre a asserção que abre a "Metafísica" de Aristóteles: "Todos os homens por natureza tendem ao saber" (980 a 21). No entanto, aceitar a afirmação do estagirita não implica dizer que todos os homens têm o mesmo grau de devoção ao conhecimento, nem que utilizam o seu aparato cognitivo da mesma forma. Alguns o aplicam para facilitar as tarefas ordinárias e atividades cotidianas, enquanto outros vão além, e o empregam em investigações abstratas ou na construção de instrumentos, mecanismos e obras arquitetônicas altamente complexas. Há ainda aqueles que se esforçam pela honestidade intelectual, por mais terrível que possa ser a verdade – porém, existem tantos outros que se servem do conhecimento para a elaboração do embuste, a disseminação da fraude, para a orientação e práticas perniciosas. Mas, independentemente do nível de consagração de cada indivíduo, ou do domínio no qual a aplica, o homem se apóia sobre a faculdade que o distingue de todas as outras espécies.

O conhecimento se faz através do primitivo processo de "tentativa e erro" – é assim na cruel batalha pela sobrevivência, no esforço contínuo para suprir as necessidades elementares da existência; e do mesmo modo na incansável busca pela elucidação dos mistérios do mundo e da vida, seja no âmbito da especulação abstrata ou no sofisticado domínio das ciências. Assim muito se conquista e muito se esclarece; mas, ao mesmo tempo, várias são também as confusões, os erros, e as perdas. O conhecimento tem esta dupla face porque a via sobre a qual ele se desdobra está constantemente sob a sombra da incerteza, já que não há no mundo homem dotado de clarividência absoluta - o que faz da cognição humana um processo precário e modesto: embora ela seja o fundamento da glória do homem, é também parte do seu drama.

Muito conhecimento foi produzido ao longo da História. Um material acumulado que pode ser de grande valia para o neófito que toma consciência dos desafios de seu próprio trajeto. De posse dele pode esquivar-se dos erros cometidos pelos antepassados, evitar o desgaste desnecessário com problemas já superados. Para isso o principiante precisa escolher com cuidado os seus Mestres, aqueles que serão a sua companhia no árduo e lento processo de aprendizado para enfrentar as batalhas da vida.

As lições e experiências do Mestre são fundamentais para a formação do discípulo. No entanto, são elas ainda insignificantes se comparadas com o imenso quadro de possibilidades da experiência humana, do qual a fatalidade pode retirar uma ocorrência surpreendente para o pupilo. Assim, neste drama existencial, Mestre e discípulo são os protagonistas de uma história de conquistas e perdas, de "tentativas e erros". Eles são reféns, não apenas da fatalidade, mas também de suas próprias fraquezas e debilidades na busca pela compreensão do homem e de si mesmos, do outro, do mundo e da vida. Diante de desafios complexos e delicados é preciso, então, ser zeloso na escolha da companhia, na escolha dos Mestres – como aprendeu em lição o jovem Meister, de Goethe: "Aprenda a conhecer os homens nos quais se pode confiar!"

Acontece que, mesmo tendo um horizonte repleto de problemas e dificuldades, alguns se arrogaram a capacidade de encurtar o longo e penoso caminho, oferecendo uma solução definitiva para o drama existencial dos homens: diziam ter um projeto para toda a humanidade. Estes, os "Intelectuais revolucionários" substituíram a instável "tentativa e erro" pela "certeza" de um "futuro promissor". Contudo, para a realização do ambicioso projeto reivindicam o poder para guiar a humanidade através do necessário processo de transição - que em princípio exigiria medidas drásticas e violentas, mas imprescindíveis para a concretização do "mundo melhor".

Os "Intelectuais revolucionários" substituíram os antigos Mestres. A ambição dos primeiros ultrapassa o domínio modesto do individual, ou de pequenos grupos, para tomar uma proporção social e mundial. Julgam-se capazes de "reeducar" a humanidade; e mais, de transformar a sua natureza com a "conversão do olhar" de cada mortal, de modo a fazê-lo ver, em tudo, inclusive nas maiores barbaridades, uma necessidade para a realização do "futuro maravilhoso". Assim estabilizariam a complexidade do humano e de suas relações, superariam as limitações e a precariedade do instrumental cognitivo, além de remediarem a instabilidade dos sentimentos e dos afetos.

Os antigos Mestres estavam conscientes das suas limitações e da sua própria miséria, embora não medissem esforços para se manterem na "senda reta". Grandes gênios e honrados santos não afirmavam a sua genialidade ou a sua santidade. No plano cognitivo Sócrates duvidou da sentença do Oráculo de Delfos, que o proclamava o homem mais sábio de Atenas – a sua certeza era a de que nada sabia. E no plano religioso, Santo Agostinho era atormentado pelas fraquezas da carne. Por isso, uma obscuridade eventual na dimensão da vida pessoal dos antigos Mestres pouco representava para refutar as suas concepções, porque eles assumiam o drama existencial, a ameaça do erro e do "pecado" na busca da "Sabedoria" ou na sua devoção à "Verdade".

Mas e quanto aos "Intelectuais revolucionários"? Qual a relevância da vida particular deles para o julgamento adequado de seus projetos? É necessário exigir-lhes honestidade intelectual e autoridade moral para transformar a humanidade, ou estariam absolvidos e perdoados por causa do seu generoso projeto de um "futuro promissor"? Uma tese revolucionária lançou uma crítica aos filósofos, acusando-os de até então terem se limitado a "interpretar" o mundo: eles precisavam agora transformá-lo. Assim, os filósofos passariam a "Intelectuais revolucionários", obedientes a uma nova hierarquia de valores, que tem no seu ápice a "ação", a "práxis". No entanto, seria prudente verificar a aplicação da tese dos "Intelectuais revolucionários" sobre eles mesmos e sondar o que "fizeram", como "agiram", e se "comportaram", de modo a que a humanidade e o mundo, caso neles confiem, não corram o risco de serem modelados à imagem e semelhança de uma obscuridade interior.

Karl Marx é um dos pilares da "intelectualidade revolucionária". Afirmando-se defensor da massa trabalhadora explorada, ele proclama a necessidade de uma revolução da classe proletária contra a minoria usurpadora, a burguesia. Neste processo revolucionário os "Intelectuais" têm um papel fundamental: eles são a elite, os generais; enquanto os trabalhadores são os soldados de infantaria. Para o pensador alemão o privilégio concedido aos "Intelectuais" (comunistas) nesta espécie de "hierarquia militar" se deve ao fato de terem a vantagem da compreensão do andamento e dos resultados do movimento proletariado. Os "Intelectuais", então, seriam os "mestres", profetas e guias, da classe trabalhadora. Mas é preciso perguntar seguindo as sugestões anteriores: qual o grau de devoção ao conhecimento, quer dizer, o nível de honestidade intelectual de Karl Marx? Qual a sua autoridade moral para configurar radicalmente as estruturas da sociedade?

Em certo sentido Marx foi um erudito. Além da vasta leitura, ele passou anos coletando dados em bibliotecas, informações de jornais, revistas, e de documentos oficiais do parlamento inglês. Contudo, não se pode dizer que Marx foi propriamente um investigador, isto é, alguém que estivesse comprometido com a adequada descrição dos fatos, com a busca da verdade. A partir de uma estrutura deturpada do processo cognitivo, Marx já possuía "uma verdade", fazendo de sua pesquisa apenas uma seleção de dados que servissem para confirmar sua proposta. Além disso, mutilava o que era coletado, e freqüentemente o distorcia de modo a que se adequasse às suas teses preconcebidas.

"O Capital", publicado em 1867, é um exemplo concreto das fraudes promovidas pelo seu próprio autor. Quando aborda as condições de trabalho no capitalismo, Marx remete o leitor à obra de Engels, "A situação da classe operária na Inglaterra", de 1845. Este texto, a única fonte do pensador alemão sobre o tema, havia, de fato, sido concebido pelo filho de um industrial bem sucedido, mas que, na verdade, pouco contato teve com o ambiente de trabalho do operariado. Quanto à obra em si, ela, como referência para Marx, poderia ser considerada ultrapassada, se para este julgamento fossem adotados como critérios as constantes modificações do domínio que pretendia descrever e as datas de publicação: entre a obra de Engels e "O Capital" de Marx havia um hiato de mais de duas décadas. Acontece que o problema era ainda mais grave. Em 1958, W. O. Henderson e W. H. Challoner analisaram o texto de Engels e concluíram que ele não possuía qualquer valor histórico ou científico: tratava-se de uma obra panfletária, de propaganda política. Engels já utilizava informações desatualizadas, a partir das quais promovia interpretações distorcidas, quando não maquiava os próprios dados. Marx, por sua vez, não só acobertou as deturpações do amigo e parceiro – muitas delas denunciadas em seu tempo – como ainda ocultou a melhoria das condições de trabalho advinda da execução de exigências legais, como as "Leis Fabris", adotadas desde o início do século XIX. Esta fraude não é uma ocorrência isolada entre os procedimentos intelectuais de Marx.

Em 1863 W. E. Gladstone, então Ministro da Fazenda inglês, em um discurso sobre gastos orçamentários disse o seguinte: "Eu deveria encarar quase com apreensão e com pesar esse aumento inebriante da riqueza e do poder se achasse que tal aumento se limitou à classe que está em condições favoráveis" [...] – e acrescenta: "a situação geral dos trabalhadores britânicos, como temos a felicidade de saber, melhorou ao longo dos últimos vinte anos num grau que, como sabemos, é extraordinário, e que quase devemos declarar como sendo sem paralelo na história de qualquer país em qualquer época" (grifo meu). Em declaração para a Associação Internacional de Trabalhadores – reproduzida em "O Capital" – Marx atribui o seguinte discurso a Gladstone: "Esse aumento inebriante de riqueza e poder se limita inteiramente às classes proprietárias" (grifo meu). Com a manipulação do discurso de Gladstone, Marx estabelecia e estimulava o seu principal objetivo: a "luta de classes" .

Defensor obstinado dos trabalhadores – generosidade que parecia justificar a falsificação, o ocultamento, a manipulação, enfim, a desonestidade intelectual – Marx acabou virando as costas para um de seus protegidos: uma "trabalhadora" que nunca recebeu um tostão sequer, e que estava dentro da sua própria casa. Helen Demuth, ou simplesmente "Lenchen", prestava serviços para a família Marx: cozinhava, passava, além de ser responsável pela administração do orçamento da casa. Ocorre que entre 1849 e 1850 Lenchen se torna amante de Marx, e fica grávida. O pensador alemão se esforça para ocultar de sua mulher, e de seus companheiros revolucionários, o "estado interessante" de Lenchen. Mas Jenny Marx, também grávida, descobre a condição de sua funcionária. Marx não assumiu a sua responsabilidade, e negou ser o pai da criança – registrada com o nome Henry Frederick Demuth, mas chamada simplesmente de "Freddy". O menino foi oferecido para adoção a uma família de operários. Ele tinha permissão para visitar a família Marx, com algumas restrições: não poderia utilizar a porta da frente da casa; e era obrigado a ver a mãe apenas na cozinha. Marx temia que a verdade sobre Freddy fosse descoberta e manchasse a sua reputação enquanto "general", membro da "elite intelectual" da revolução. Engels foi convencido a assumir a paternidade – porém, debilitado por um câncer no esôfago, escreveu em uma lousa o segredo que não deveria ser tragado pela terra junto com o seu corpo: "Freddy é filho de Marx [...]" .

Perfeição e santidade não são atributos que se deva exigir do ser humano, um ser corrompido por natureza. São virtudes relacionadas sempre ao divino. No entanto, se um tipo como o "Revolucionário", que acredita sobrelevar-se como "o escalão mais alto da humanidade" - autoproclamação de Che Guevara - portando um projeto que diz ser "científico" e reivindicando poder para transformar a humanidade e o mundo, então é, no mínimo, prudente checar as suas credenciais. Porque elas são o fundamento de seu próprio discurso. Acontece que, no caso dos revolucionários, como ilustra o exemplo de Marx, há, entre as suas teses, a sua "práxis", e a sua generosa promessa, um conflito insolúvel. Agora, é imprescindível esclarecer: não se trata, aqui, de disputar a defesa da moral para este ou aquele segmento teórico-ideológico ou grupo político-partidário. Nem mesmo fomentar a resignação ou renúncia da vida prática. Mas ponderar sobre ambições aparentemente mais modestas, fundamentais para que ninguém se precipite a querer transformar os outros e o mundo conforme suas trevas interiores – suspeitar como o Julien Sorel de Stendhal: "o homem que quer expulsar a ignorância e o crime da Terra deve passar como a tempestade e semear o mal como ao acaso?" Assim talvez fique claro que o fim é o próprio percurso – o longo, interminável, repleto de transtornos e tropeços sobre o qual havia ensinado o antigo Mestre – e não o projeto pronto e acabado do "Intelectual revolucionário", que para a realização do sempre adiado "futuro maravilhoso", rendeu à humanidade não apenas um aviltamento intelectual como também uma carnificina jamais vista ao longo da História.

 

Bibliografia.

ARISTÓTELES. Metafísica. Comentários de Giovanni Reale. São Paulo: Edições Loyola, 2002.
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GOETHE, Johann Wolfgang. Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister. Editora 34: São Paulo, 2006.

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MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. Editora Martin Claret: São Paulo, 2002.

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